Clonagem da ovelha Dolly completa 20 anos

Londres, 5 jul (EFE).- A ovelha Dolly, o primeiro mamífero clonado a partir de uma célula adulta e um dos maiores feitos da história da pesquisa genética, teria completado 20 anos nesta terça-feira.

O criador da experiência, o cientista britânico Ian Wilmut, afirmou em entrevista coletiva em Londres que o desenvolvimento de tratamentos com células-tronco estaria duas décadas atrasado se não tivesse ocorrido aquele passo fundamental.

"É provável que alguém tivesse chegado às células-tronco pluripotentes induzidas (IPS, em inglês) por outros caminhos, mas esse processo, que é a chave para outras muitas coisas, teria sido atrasado por vários anos, talvez até 20", afirmou Wilmut.

Dolly nasceu no dia 5 de julho de 1996 em um laboratório do Instituto Roslin, em Edimburgo, na Escócia, a partir do material genético extraído de uma célula adulta e que foi introduzido em um óvulo.

A existência da ovelha só foi divulgada em 1997, quando os cientistas tiveram a certeza de que a ovelha estava saudável e sobreviveria.

A clonagem de Dolly abriu um debate sobre a possibilidade de aplicar esse tipo de técnica em humanos, aspecto no qual é preciso ser "muito cuidadoso", afirmou Wilmut nesta segunda-feira.

"Se houver um procedimento que permita curar uma doença ou ajudar alguém de forma alguma, e receba a aprovação em um contexto amplo, então eu seria a favor", especificou o cientista.

Por outro lado, Wilmut se mostrou contra qualquer intervenção genética para alterar características humanas, como a aparência ou a inteligência, por "não poder imaginar uma situação na qual isso fosse apropriado".

A ovelha Dolly morreu no dia 14 de fevereiro de 2003, com seis anos, quando os cientistas decidiram sacrificá-la devido a uma infecção pulmonar.

Em 1984, pesquisadores da Universidade de Cambridge clonaram uma ovelha pela primeira vez, processo que repetiram no Instituto Roslin em 1995.

A diferença em relação a Dolly é que aquelas clonagens foram feitas a partir de células embrionárias, enquanto a ovelha que alcançou a fama internacional provinha do material genético de uma célula adulta, procedimento que a maioria dos pesquisadores consideravam impossível há duas décadas.

"O nascimento (de Dolly) provou que as células especializadas podiam ser utilizadas para criar uma cópia exata do animal do qual provinham. Esse conhecimento mudou aquilo que os cientistas pensavam que era possível e abriu muitas possibilidades na biologia e na medicina", afirmou o Instituto Roslin em comunicado.

Após a morte, o corpo de Dolly foi doado ao Museu Nacional da Escócia, em Edimburgo, onde se tornou uma das atrações mais populares.

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