Brasileiro lidera estudo sobre melhora de paraplégicos com realidade virtual

Washington, 11 ago (EFE).- Um estudo comandado pelo neurocientista Miguel Nicolelis publicado nesta quinta-feira na revista "Scientific Reports" relatou que paraplégicos com lesões na espinha dorsal recuperaram parte de sua mobilidade após treinos com robôs e aparatos de realidade virtual controlados por ondas cerebrais.

Oito pessoas submetidas ao estudo aumentaram o domínio sobre os músculos após treinarem com aparelhos de controle cerebral que simulavam o movimento das pernas.

O brasileiro Miguel Nicolelis liderou o estudo na Universidade de Duke, em Durham (Carolina do Norte, EUA), com resultados que elevam a esperança de recuperação de mobilidade e força para pessoas afetadas por lesões de coluna, infartos ou outras doenças.

"Não podíamos prever um resultado clínico tão surpreendente quando começamos o projeto", explicou em nota o neurocientista, responsável pela tecnologia que permitiu a construção do exoesqueleto utilizado por um paraplégico no pontapé inicial simbólico da Copa do Mundo do Brasil, em 2014.

Durante a pesquisa, pacientes paralisados durante anos começaram a recuperar mobilidade e o tato após meses de utilização de robôs ou de realidade virtual operada com ondas cerebrais.

Em alguns casos, após sete meses de tratamento, os pacientes evoluíram da diagnose de paralisia total a parcial, segundo indica o estudo.

Os pacientes também recuperaram o controle das funções urinárias, reduzindo assim o uso de laxantes ou cateteres, o que se traduziu em uma melhora substancial da qualidade de vida e reduziu o risco de infecções.

Os sistemas controlados por ondas cerebrais, que custaram décadas de desenvolvimento, estabelecem uma comunicação direta com computadores ou próteses robóticas mediante a leitura de ondas cerebrais.

O uso destes sistemas cerebrais para simular mobilidade em um mundo virtual computadorizado permite "reorganizar nervos" que estavam intactos, mas que durante anos não conduziram sinais do córtex cerebral aos músculos.

A mudança mais radical registrada pelos pesquisadores foi o caso de uma mulher de 32 anos, que estava paralisada há 13 anos e que após 13 meses de tratamento conseguiu voltar a movimentar suas pernas com ajuda de uma estrutura.

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