Drones coletam poluição e a transformam em material para impressão 3D

Amaya Quincoces Riesco

Em Madri

  • Mark Schiefelbein/AP Photo

Inspirados no modus operandi das abelhas que levam pólen à colmeia, os drones podem ser usados para coletar poluição do ar e depois transformar as partículas nocivas em material para impressão 3D, como demonstrará um projeto espanhol de pesquisa, recém-selecionado em uma competição mundial.

Denominado UrbanBees (abelhas urbanas, em inglês), este inovador sistema de combate à poluição, criado por um grupo de quatro alunos de engenharia aeroespacial da Universidade Politécnica de Madri (UPM), foi selecionado para disputar a fase final da competição internacional "Tsinghua-Santander World Challenges of the 21st Century".

Apenas nove equipes passarão à última fase deste desafio promovido pelo Banco Santander e pela Universidade de Tsinghua, uma referência em educação na China e uma das melhores instituições do mundo em engenharia.

A lista deve contar ainda com universidades prestigiadas como Imperial College London, Oxford, Cambridge, Harvard, MIT, Berkeley e Stanford.

Coleta de ar poluído

Sergio Pérez, da Escola Técnica Superior de Engenharia Aeronáutica e do Espaço (ETSEAE) da UPM, explicou à Agência Efe que, nas demonstrações de viabilidade de seu projeto em Pequim, durante a segunda quinzena de agosto, sua equipe programará um drone com tecnologia Arduino ou ferramentas similares para lançar o aparelho não tripulado ao ar para coletar ar poluído.

Os desafios iniciais de sua iniciativa são definir como será a implementação da rede de drones, e introduzir nos mesmos o sistema mais apropriado para a coleta das substâncias poluentes suspensas no ar, detalhou o especialista.

Sua equipe, que inclui os engenheiros Alejandro Fernández, Diego Ortega e Yajing Zheng, da UPM, cogita a possibilidade de incorporar filtros, mas pode introduzir algum tipo de sistema magnético que atraia partículas.

A efetividade desta última proposta, no entanto, estaria vinculada ao tipo das partículas recolhidas, já que nem todos os compostos metálicos nelas respondem à atração dos ímãs, ressaltou o especialista.

Basicamente, a ideia é automatizar todo o processo, assim, os drones seriam administrados com tecnologia "inteligente" e estariam prontos para sair para a coleta de poluentes quando os níveis detectados por sensores superassem os parâmetros fixados.

Os drones organizariam suas próprias tarefas e voos, após os quais retornariam à base "inteligente" para recarregar baterias e depositar o ar poluído recolhido.

Depois, as partículas seriam "compactadas" com um método ainda não definido no projeto, mas cujo processo deve acrescentar elementos externos não provenientes da poluição, segundo Pérez.

Seriam utilizadas para a reciclagem as partículas com metais PM10, nomeadas assim em referência ao tamanho do diâmetro delas medido em micrômetros, porque são as que podem ser usadas como material para esse tipo de fabricação, acrescentou o especialista.

Os objetos metálicos que seriam obtidos com essa tecnologia em três dimensões, que baseia sua produção na progressiva superposição de camadas de material, seriam do mais variados, desde armação para óculos a cadeiras, chaves ou outros.

Embora a implementação inicial do projeto seja planejada para cidades da China, a Escola Técnica Superior de Engenharia Aeronáutica e do Espaço (ETSEAE) da UPM já trabalha com a ideia de continuar o empreendimento, com o objetivo de transportá-lo para qualquer área urbana e contribuir, assim, com a redução da poluição do ar.

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