Estudo revela funcionamento da aprendizagem por observação

Redação Central, 6 set (EFE).- Especialistas da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), nos Estados Unidos, analisaram os neurônios individuais encarregados de processar a aprendizagem por observação, publicou nesta terça-feira a revista "Nature Communications".

A pesquisa, realizada por uma equipe de neurocientistas do citado centro e do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), registrou a atividade dos neurônios individuais com o objetivo de descobrir como o cérebro humano processa a aprendizagem por observação.

Segundo o diretor da pesquisa, Michael Hill, no estudo foi possível "superar diferentes níveis da neurociência, começando pelo nível mais abstrato dos modelos computacionais, que encontramos refletidos na atividade dos neurônios individuais, passando pelo comportamento humano até a interação humana".

No teste, os especialistas realizaram um registro da atividade dos neurônios individuais em dez pacientes que sofriam de epilepsia e que tinham eletrodos implantados no cérebro enquanto jogavam cartas.

Durante o jogo, a informação registrada pelos eletrodos refletia a alteração do comportamento neuronal, baseado naquilo que os pacientes aprendiam a observar nos outros jogadores.

Quando os sujeitos observavam o comportamento dos outros jogadores, os neurônios individuais de seus cérebros codificavam uma linguagem de aprendizagem complexa desenvolvida originalmente nos campos de inteligência artificial e aprendizagem automática.

"É incrível ver os neurônios no interior do cérebro humano realizando estes cálculos complexos a partir das tentativas e erros de outras pessoas", comentou Hill.

Quando outra pessoa pegava uma carta, a atividade dos neurônios registrada já tinha previsto o desenlace mais provável, com base nos resultados de testes anteriores.

Depois que o resultado era revelado, os mesmos neurônios codificavam a divergência entre o resultado e seu prognóstico original.

Conforme ficou demonstrado, a combinação desses parâmetros pode ser utilizada pelo cérebro para aprender com a experiência de outras pessoas e de seus erros, a fim de ajustar o comportamento de forma consequente.

Durante a pesquisa, Hill e seus colegas também descobriram o comportamento dos denominados neurônios "schadenfreude".

Quando jogamos com outras pessoas, como no caso das cartas, sentimos prazer quando ganhamos, mas também sentimos "schadenfreude", prazer derivado do fracasso alheio.

De acordo com os resultados do estudo, quando o sujeito em questão ganhava e os outros jogadores perdiam, a atividade desses neurônios aumentava. Já quando este sujeito perdia e outros jogadores ganhavam, a atividade diminuía.

"Obviamente, não sabemos o que significa com precisão o fato de que estes neurônios codificam. No entanto, é fascinante ver algo como 'schadenfreude' refletido na atividade de neurônios individuais no cérebro humano" acrescentou o especialista.

A comunidade científica tinha descoberto, até o momento, que existem três áreas principais do cérebro envolvidas na aprendizagem social, a amídala, o córtex pré-frontal medial e o córtex cingulado anterior.

No entanto, segundo explicou o diretor do estudo, nesta ocasião "os dois tipos de respostas foram encontradas na área do cérebro denominada córtex cingulado anterior e não nas outras duas partes nas quais também foram registrados dados".

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