Expedição internacional buscará limites da vida no subsolo marinho

Julio César Rivas.

Toronto (Canadá), 10 set (EFE).- Uma expedição internacional começará a explorar nos próximos dias as profundezas do oceano Pacífico para tentar descobrir se existe vida no subsolo marinho a temperaturas de 130 graus centígrados.

Os resultados da expedição podem responder perguntas como qual é a profundidade da área habitável da Terra, a profundidade da biosfera do subsolo marinho, como a biosfera das profundezas afeta à vida na superfície do planeta e inclusive se a vida se originou nas profundezas.

A expedição, que é parte do Deep Carbon Observatory (DCO), um programa de pesquisa internacional que está estudando o papel exercido pelo carbono existente nas profundezas do planeta no funcionamento da Terra, começará no próximo dia 12 e durará 60 dias.

Kai-Uwe Hinrichs, o principal autor da proposta da expedição, disse à Agência Efe que uma equipe de 25 cientistas viajará no maior navio de pesquisa científica do mundo, o "Chikyu", a um ponto no oceano Pacífico conhecido como depressão Nankai.

Hinrichs afirmou que a depressão Nankai, situada a cerca de 120 quilômetros do litoral do Japão e onde o Pacífico tem uma profundidade de 4,7 quilômetros, oferece condições únicas para determinar quais são os limites para a existência de organismos vivos em condições de elevadas temperaturas.

Na depressão Nankai, o "Chikyu" só precisará perfurar 1,2 quilômetro abaixo do leito marinho para alcançar a área da crosta terrestre onde a temperatura é de aproximadamente 130 graus centígrados.

Em outras áreas, o "Chikyu" teria que perfurar 4 quilômetros abaixo do leito marinho para alcançar essa temperatura.

No total, a distância da superfície à profundidade que o "Chikyu" quer alcançar debaixo do leito marinho é equivalente à altura de 18 Torres Eiffel.

Até agora, os cientistas detectaram organismos no leito marinho a temperaturas de 121 graus, e o que a expedição internacional quer saber é se é possível encontrar micróbios a temperaturas superiores, o que mudaria o entendimento dos limites da vida.

Mas Hinrichs advertiu que as possibilidades de encontrar vida a temperaturas de 130 graus centígrados são realmente baixas.

Até o momento, a forma de vida catalogada achada nas temperaturas mais elevadas é o Geogemma barossii, um organismo de uma só célula que vive em fontes hidrotermais do fundo do mar.

Este organismo, também conhecido como Cepa 121, foi localizado em 2003 no recife Juan de Fuca, no litoral noroeste dos Estados Unidos, e pode crescer e se duplicar a 121 graus centígrados.

As moléculas de DNA, pelo menos sob condições presentes na superfície, começam a desintegrar-se a temperaturas de entre 120 e 140 graus centígrados e, sem DNA, a vida, como os cientistas a conhecem até agora, não pode existir.

Verena Heuer, codiretora científica da expedição, afirmou em comunicado que, durante os próximos 60 dias, terão "uma oportunidade sem precedentes para aprender mais sobre quando as temperaturas são elevadas demais para que a vida microbiana sobreviva sob o leito marinho".

"Temos a extraordinária oportunidade de explorar as profundezas nas quais sedimentos e rochas estão quentes demais para a vida, inclusive para micróbios que podem viver a temperaturas superiores aos 85 graus", acrescentou Heuer.

Pela primeira vez neste tipo de pesquisa, as amostras coletadas durante as perfurações do "Chikyu" serão enviadas por helicóptero ao Centro Kochi Core, do Japão, para serem examinadas e determinar as características geológicas e microbiológicas dos sedimentos.

A expedição utilizará tecnologias de ponta que Hinrichs comparou com a exploração do espaço.

"Esta expedição é tão complexa como pode ser uma missão ao espaço sideral", comentou Hinrichs, acrescentando que a exploração da crosta terrestre na depressão Nankai também pode ajudar à busca de vida no espaço.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos