Cientistas criam teste de arma nuclear capaz de ocultar informação sensível

Londres, 20 set (EFE).- Um grupo de cientistas nos Estados Unidos desenvolveu uma técnica que permite verificar a autenticidade das ogivas nucleares em armamentos, mas sem revelar seus desenhos ou componentes, informou nesta terça-feira a revista britânica "Nature".

A pesquisa, liderada por especialistas da Universidade de Princeton (EUA), poderia permitir no futuro o estabelecimento de mecanismos de controle mais seguros e confiáveis na corrida armamentista.

"A próxima etapa de acordos sobre o controle de armas poderia exigir a existência de um mecanismo de verificação de confiança em relação à autenticidade dos elementos presentes em ogivas nucleares", escreveram os autores em seu relatório.

No entanto, os cientistas lembraram que esse novo sistema de controle não deverá oferecer informação sobre "a composição ou o desenho" das ogivas nucleares em questão, para assim lidar com as preocupações em torno "da proliferação e de questões de segurança nacional".

Neste sentido, os investigadores de Princeton, em colaboração com a Universidade de Pisa (Itália) e a Universidade de Yale (EUA), desenvolveram os denominados "testes de conhecimento zero".

Os mesmos se baseiam, conforme explicaram os pesquisadores, em métodos matemáticos criptográficos que servem "para demonstrar a validade de uma alegação sem oferecer mais informação sobre a mesma".

O pesquisador-chefe, Sébastien Philippe, e seus colegas, estabeleceram um protocolo que põe nas mãos de um inspetor uma ferramenta de verificação que "não contém informação sobre a imagem de um objeto".

Os especialistas posicionaram um objeto de estudo (que poderia se tratar de uma ogiva nuclear) entre uma fonte de nêutrons e um detector de emulsões, o que reproduz uma "marca" ou "radiografia" do objeto a partir das bolhas surgidas na emulsão.

A ferramenta de verificação está dotada com um "sistema de distribuição de bolhas complementar" gerado por uma "amostra de referência".

"Assim, uma coincidência positiva está representada por um sinal completamente equilibrado, que não oferece informação útil ao inspetor, mas que confirma que o objeto de teste é idêntico à amostra de referência", acrescentaram os pesquisadores.

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