Malária já existia no Império Romano

Washington, 5 dez (EFE).- Restos humanos de dois mil anos de antiguidade encontrados em várias regiões da península itálica confirmam que a malária já existia no Império Romano, publicou nesta segunda-feira a revista especializada "Current Biology".

A resposta ao debate sobre se a doença estava ou não presente na época veio de uma mostra de genoma mitocondrial extraída dos dentes de corpos enterrados em três cemitérios italianos entre os séculos I e III.

Esta informação genética é importante, explicam os cientistas, porque serve como um ponto de referência chave de quando e onde existiu o parasita em humanos, ao mesmo tempo que apresenta mais informação sobre a evolução das doenças.

"A malária foi provavelmente um patogênico histórico significante que causou morte generalizada na Antiga Roma", indica Hendrik Poinar, diretor do centro de genética da Universidade McMaster (Ontário, Canadá), onde foi feito o estudo.

A malária é uma doença grave, e em algumas ocasiões mortal, causada por parasitas do gênero Plasmodium que afeta principalmente os países em desenvolvimento com climas quentes e é responsável por quase 450 mil mortes a cada ano, a maioria crianças menores de cinco anos.

"Existe ampla prova escrita com descrições de febres que soam como malária nas antigas Grécia e Roma, mas se desconhece a espécie específica responsável da doença", explica Stéphanie Marciniak, pós-doutoranda na Universidade da Pensilvânia.

"Nossos dados confirmam que a espécie foi provavelmente Plasmodium falciparum e que afetou pesoas em diferentes ambientes ecológicos e culturais. Estes resultados levantam novas perguntas, especialmente o quanto estava disseminado o parasita e qual impacto tinha nas comunidades da Itália do Império Romano", acrescenta.

O Plasmodium falciparum é o parasita da malária com mais prevalência na África Subsaariana e o mais mortal no mundo todo.

Para efetuar este estudo, Stéphanie e seus colegas analisaram o DNA dos dentes de 58 adultos e 10 crianças enterrados em três cemitérios da época: Isola Sacra, Velia e Vagnari.

Situadas no litoral, Velia e Isola Sacra eram grandes cidades portuárias e centros de comércio, enquanto Vagnari estava no interior e acredita-se que era lugar de enterro de trabalhadores rurais.

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