Stephen Hawking completa 75 anos no auge da fama

Judith Mora.

Londres, 8 jan (EFE).- O físico britânico Stephen Hawking, talvez o cientista mais famoso do mundo, completa 75 anos neste domingo em plena maturidade intelectual e no auge da fama, com um louvável histórico de influentes teorias, livros que desaparecem das prateleiras, dezenas de prêmios e até um filme.

Desafiando todas as previsões, Hawking, nascido em 8 de janeiro de 1942 na cidade inglesa de Oxford, sobreviveu ainda a uma destrutiva doença cujos afetados costumam ter uma expectativa de vida de entre dois e cinco anos.

Em 1963, aos 21 anos, foi diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença degenerativa que o relegou a uma cadeira de rodas e o obriga a se comunicar por meio de um computador, que controla com os músculos faciais.

Não se têm detalhes de como comemorará seu aniversário, mas no passado disse que, como sempre esperou "uma morte prematura", para ele a vida é um presente e "o tempo é muito valioso".

"Há tanto que quero fazer. Odeio desperdiçá-lo (o tempo)", declarou Hawking há uma década.

É possível que compartilhe este aniversário com sua primeira família, da qual voltou a se aproximar após se divorciar em 2006 de sua segunda esposa e ex-enfermeira Elaine Mason, por quem deixou sua primeira mulher, Jane Wilde, em 1990.

A relação com Jane, com quem foi casado entre 1965 e 1995 e tem três filhos, Robert, Lucy e Timothy, e vários netos, centra o roteiro do filme "A Teoria de Tudo" (2014), protagonizado por Eddie Redmayne e Felicity Jones.

O filme, que transformou o cientista em uma superestrela global e valeu a Redmayne um Oscar, um Bafta e um Globo de Ouro, se baseia na biografia "Travelling to Infinity: My Life with Stephen", que sua primeira esposa publicou em 2007.

Apesar dos obstáculos impostos por sua doença, pela qual esteve a ponto de morrer várias vezes, Hawking nunca deixou a pesquisa e mantém seu trabalho de divulgação científica.

Doutor pela Universidade de Cambridge, onde entre 1979 e 2009 ocupou a mesma cátedra de Matemática que foi de Isaac Newton, é conhecido por suas teorias revolucionárias, em particular a da "radiação Hawking", relativa aos buracos negros.

Embora não possa demonstrá-la empiricamente, o mundo da ciência está em sua maioria convencido de que os buracos negros efetivamente emitem essa radiação, que lentamente causa sua evaporação.

Sua teoria sobre a formação do universo, e o conseguinte início do tempo, com o Big Bang há 15 bilhões de anos a partir de um evento "singular" que rompeu as leis da física, também lhe valeu uma legião de seguidores, mas não o Prêmio Nobel, que a descarta pela falta de provas conclusivas.

Em todo caso, o cientista inglês, que quebrou recordes de vendas com seu livro de 1988, "Uma Breve História do Tempo", acumula condecorações e prêmios, entre eles o Prêmio Príncipe de Astúrias (1998).

Além de respeitado pesquisador, Hawking, que é membro fundador do Centro de Cosmologia Teórica da Universidade de Cambridge, participa frequentemente de atos de divulgação científica e opina frequentemente em assuntos da atualidade - como a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), à qual se opôs no referendo do último dia 23 de junho.

Como membro da Pontifícia Academia das Ciências - embora seja ateu -, em novembro do ano passado disse no Vaticano que perguntar sobre "o que havia antes do Big Bang" não tem de sentido, pois "seria como questionar o que há mais ao sul do Polo Sul".

No passado foi mais longe ao declarar que a ciência torna Deus "desnecessário", pois "as leis da física podem explicar o universo sem a necessidade de um criador".

Entre outras proezas, Hawking participou em 1993 da série de TV de ficção científica "Star Trek"; em 2007 fez um voo em gravidade zero com a Nasa e no último mês de abril demonstrou sua popularidade mundial ao conquistar mais de dois milhões de seguidores poucas horas depois de ativar uma conta no Weibo, o Twitter chinês.

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