Estudo mostra que células sanguíneas aprendem a se aclimatar à altitude

Londres, 7 fev (EFE).- Os seres humanos aclimatam-se à altitude com maior facilidade, já que as células sanguíneas aprendem a se adaptar a esse entorno, segundo um estudo publicado nesta terça-feira pela revista "Nature Communications".

Cientistas da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, descobriram certos mecanismos moleculares que governam a resposta adaptativa das células, tanto em ratos como em humanos.

Esse trabalho pode facilitar a busca de tratamentos contra os efeitos da hipóxia (falta de oxigênio) não só como consequência da altitude, mas também em doenças respiratórias e cardiovasculares.

Para sobreviver às rigorosas condições de altas montanhas, onde a respiração é mais difícil do que ao nível do mar, o organismo tenta mobilizar mais oxigênio rumo aos tecidos e aos órgãos.

Um dos mecanismos que se inicia nessas circunstâncias é a libertação de adenosina, uma molécula que previne os vazamentos vasculares, reduz a inflamação e contribui para dilatar os vasos sanguíneos.

Estudos prévios tinham mostrado que a exposição repetida a altitudes elevadas promove uma adaptação mais rápida a ambientes com pouco oxigênio.

As bases moleculares para explicar esse fenômeno, no entanto, não eram entendidas em detalhes.

Yang Xia e seu grupo de pesquisadores identificaram uma proteína celular denominada eENT1 que reforça a produção de adenosina em condições de hipóxia.

Os cientistas comprovaram que essa proteína se degrada quando um humano se encontra em altitude e em ratos localizados em entornos com pouco oxigênio, o que favorece uma rápida acumulação de adenosina no plasma sanguíneo e contraria o dano que causa a hipóxia nos tecidos.

Esse é precisamente o mecanismo que se reforça após uma primeira ascensão e que provoca aquilo que os pesquisadores chamaram de "memória hipóxica" das células sanguíneas.

Os autores do estudo sugerem que atuar sobre o processo de degradação da proteína eENT1 pode dar lugar a novos métodos terapêuticos que evitam os danos provocados por diversas doenças. EFE

gx/ff

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