Turismo espacial e praias: Wenchang, o Cabo Canaveral chinês

Rafael Cañas.

Wenchang (China), 30 abr (EFE).- Com sua mistura de praias tropicais e turismo espacial, o centro de lançamentos espaciais de Wenchang se tornou o Cabo Canaveral da China.

Situado ao nordeste da ilha de Hainan, onde nos últimos anos se construiu um complexo turístico graças a seu clima e suas praias, que lhe valeram o sobrenome de "Havaí chinês", este é o quarto centro espacial do gigante asiático.

Durante muito tempo, o caráter secreto e o controle militar dominaram a gestão do programa espacial chinês. Seu primeiro centro espacial, o de Jiuquan, fica no deserto de Gobi, a 200 quilômetros da cidade que lhe dá nome.

Em relação à aparência vetusta e soviética de Jiuquan, inaugurado em 1958, em Wenchang, inaugurado formalmente em 2016 com o lançamento do primeiro foguete Longa Marcha 7, tudo é moderno e colorido, desde o azul das enormes portas dos prédios até o verde da exuberante vegetação tropical

E enquanto em Jiuquan o complexo hospeda uma autêntica cidade com todos os serviços administrativos (fora isso só há deserto), aqui os funcionários e suas famílias vivem no exterior, misturados com os visitantes do principal centro de férias da China.

Mas o que torna Wenchang realmente diferente é sua relativa abertura, produto da nova mentalidade do governo de Pequim a respeito da promoção de seu programa espacial.

Com 60,2 milhões de turistas no ano passado, a ilha de Hainan é um gigantesco centro de férias. Somente na região de Wenchang-Haikou há cerca de 80.000 vagas de hotel, segundo a imprensa local.

Assim, ao turismo de praia tropical se uniu o turismo espacial. Dentro do recinto há um centro de visitantes, embora limitado a 300 por dia, que podem ver uma exposição de naves e sondas, autênticas ou cópias, inclusive com aparelhos de realidade virtual que imitam a vida em órbita.

Além disso, cada lançamento recebe alguns milhares de convidados dentro do recinto, enquanto que fora do perímetro de segurança são estabelecidas zonas de observação com capacidade para cerca de 25 mil pessoas.

Inclusive há nas proximidades um hotel da rede Hilton que - segundo reconhecem os próprios trabalhadores do centro espacial - tem uma vista melhor que a própria base de lançamentos para o espetáculo das naves partindo.

E há planos para construir na região um gigantesco parque temático espacial, com capacidade para dois milhões de visitantes anuais. A comparação com Cabo Canaveral (praias, palmeiras, parques temáticos e espaço) é inevitável.

Tudo isto está dentro de uma nova atitude do governo chinês para a difusão de seu programa espacial, com um claro objetivo de propaganda, tanto dentro quanto fora do país.

Embora o controle militar persista, há uma nova mentalidade para divulgar com generosidade os lucros do gigante asiático neste campo.

Dentro desta estratégia está a criação do Dia do Espaço, que foi comemorado em 24 de abril, e que começou no ano passado, enquanto que os meios de comunicação, liderados pela rede estatal de televisão, a "CCTV", oferecem informação exaustiva de cada missão e cada vez se permite mais o acesso - embora limitado - à imprensa estrangeira.

Mesmo que muita informação-chave não seja divulgada (como orçamento ou número de funcionários) todo este trabalho fez do programa espacial um motivo de orgulho dos cidadãos chineses.

Isso porque a China será, se as previsões se cumprirem, o único país do mundo com uma estação espacial própria, por volta do ano 2022. Algo que nem as grandes potências espaciais tradicionais, Estados Unidos e Rússia, conseguiram.

A China também finaliza outras missões inovadoras, como o lançamento em novembro da sonda "Chang'e 5", que aterrissará na Lua, colherá amostras e as trará de volta à Terra, tudo isso de forma automatizada.

Do ponto de vista técnico, Wenchang oferece grandes vantagens sobre seus antecessores, começando por sua localização muito meridional, a apenas 19 graus de latitude acima do Equador, muito favorável para o lançamento de naves e satélites de órbita geoestacionária.

Além disso, a localização junto ao mar permite o transporte por barco das novas gerações de foguetes de maior diâmetro. Graças a isto, a China aumentou notavelmente sua capacidade de levar cargas pesadas para o espaço.

Também por estar situado junto ao mar, os restos de foguetes impulsores caem na água, o que reduz enormemente os problemas de segurança em relação às outras bases de lançamento chinesas.

Por tudo isso, de Wenchang serão lançadas as próximas missões importantes chinesas, desde a "Chang'e 5" até a colocação em órbita dos módulos da estação espacial, já a partir de 2018.

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