Homo naledi conviveu com Homo sapiens no sul da África, diz estudo

Johanesburgo, 9 mai (EFE).- O Homo naledi, a nova espécie de hominídeo descoberta na África do Sul em 2013 e que viveu entre 236 e 335 mil anos atrás, pode ter coexistido com os Homo sapiens que habitavam a região, revelou nesta terça-feira a equipe de cientistas responsável pela descoberta.

"Esta é a primeira vez que ficou comprovado que outra espécie de hominídeo coexistiu com os primeiros humanos na África", diz um comunicado dos pesquisadores publicado no site da Universidade de Witwatersrand em Johanesburgo.

"É algo surpreendente", afirmou o líder da equipe, o professor Lee Berger, sobre o período em que a espécie viveu. "Pensávamos que (o Homo naledi) poderia ter milhões de anos", explicou.

"Esta espécie pode ter milhões de anos, mas esta população era jovem", acrescentou o professor, que foi muito criticado por paleontólogos de todo o mundo por apresentar a descoberta do Homo naledi sem ter datado os fósseis encontrados, segundo a imprensa local.

Integrantes da equipe de pesquisa de Berger sugeriram na época que o "Homo naledi" poderia ser um dos exemplares mais antigos do gênero Homo.

A revelação sobre a datação dos fósseis do Homo naledi está acompanhada da descoberta dos restos de três exemplares desta espécie de hominídeos, uma criança e dois adultos, um deles com o crânio em ótimo estado de preservação.

Os novos fósseis foram encontrados em uma cavidade adjacente do local onde estavam os primeiros Homo naledi descobertos, o que leva os cientistas a pensar que esta espécie depositava seus mortos em uma parte separada das cavernas.

O Homo naledi foi descoberto em 2013 na câmara Dinaledi do sistema de cavernas Rising Star na África do Sul, perto de Johanesburgo, e seus restos apareceram entre mais de 1.550 fósseis, o que faz com que este jazigo seja considerado um tesouro paleontológico.

No local foram encontrados os ossos de 15 indivíduos da mesma espécie, o que permitiu documentar e descrever o esqueleto do Homo naledi com muito detalhe.

O anúncio da descoberta ocorreu em setembro de 2015, e provocou debates acalorados na comunidade científica.

No total, 52 cientistas de 35 departamentos de universidades de todo o mundo participaram da pesquisa.

Como já aconteceu com o anúncio da nova espécie, as novas conclusões foram publicadas na revista científica "eLife", uma publicação on-line com critérios menos rigorosos na hora de revisar os conteúdos que revistas mais prestigiadas como "Nature" e "Science".

A escolha desta publicação por parte de Berger levantou suspeitas entre alguns membros da comunidade científica, que criticaram o suposto tratamento superficial e midiático que o professor deu a sua polêmica descoberta.

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