Cientistas do CERN observam uma nova partícula subatômica no LHC

Genebra, 6 jul (EFE).- A Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN) anunciou nesta quinta-feira a primeira observação no Grande Colisor de Hádrons (LHC, sigla em inglês), o maior acelerador de partículas do mundo, de uma partícula subatômica com dois quarks pesados, um fenômeno da física cuja existência foi teorizada nos anos 1960, mas que, até hoje, não tinha sido confirmado.

A nova partícula subatômica tem uma massa quatro vezes superior ao bárion mais comum, o próton, anunciou o CERN nesta quinta-feira em uma conferência em Veneza, na Itália, segundo um comunicado divulgado em Genebra, na Suíça.

Esta descoberta acontece dentro do experimento LHCb do LHC, que busca entender porque na evolução do universo, quando havia quantidades iguais de matéria e antimatéria, a primeira prevaleceu sobre a segunda.

Quase toda a matéria que nos cerca é formada por bárions, partículas subatômicas compostas por três partículas elementares com carga elétrica fracionada chamadas de quarks, que são os elementos fundamentais de prótons e nêutrons.

Levando em consideração que a teoria científica conhece a existência de seis tipos de quarks (up, down, charm, strange, top e bottom), os investigadores especularam durante anos sobre as combinações potenciais de bárions que podem existir no Universo.

Os bárions observados até hoje apenas continham, no máximo, um quark pesado. No entanto, os físicos observaram agora, sem ambiguidades, um bárion com dois "charm" quarks, que possui uma carga elétrica fracionária com uma massa um pouco mais elevada que um próton, e um "up" quark, que é mais leve.

Com a medição das propriedades da nova partícula subatômica, os cientistas do CERN poderão estabelecer o período de vida da mesma e como se comportam dois quarks pesados e um mais leve, explicou à Agência Efe Samuel Coquereau, pesquisador da Universidade de Barcelona que participa do LHCb.

"Conseguimos encontrá-la após muito tempo de buscas. Agora temos que estudá-la", acrescentou o especialista.

"Ao contrário dos outros bárions, nos quais três quarks giram um ao redor do outro como se estivessem dançado, esperamos que o bárion com dois quarks pesados se comporte como um sistema planetário, nos quais os quarks pesados desempenham o papel das estrelas que orbitam uma ao redor da outra, com um quark mais leve orbitando ao redor deste sistema binário", explicou em um comunicado o especialista do CERN, Guy Wilkinson.

A descoberta relança as expectativas de detectar outros representantes da família dos bárions com dois quarks pesados.

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