A. Latina é a região mais perigosa para ativistas do meio ambiente, diz ONG

Bogotá, 13 jul (EFE).- A América Latina se mantém como a região mais perigosa para os ativistas do meio ambiente, registrando 60% das mortes em 2016, o ano mais sangrento da história para os defensores das terras, segundo um relatório publicado nesta quinta-feira pela ONG Global Witness.

O país com maior número de assassinatos na região, segundo o relatório, foi o Brasil, que se mantém como o mais fatal pelo número de mortes (49), enquanto a Nicarágua (11) se tornou o pior lugar de renda per capita do ano.

Honduras (14) continua como o lugar mais perigoso per capita durante a última década (127 desde 2007), e na Colômbia os homicídios registrados alcançaram um máximo histórico (37), "já que as áreas que previamente estavam sob controle guerrilheiro agora são observadas com cobiça por companhias extrativas e paramilitares", indicou a Global Witness.

Jakeline Romero, líder dos indígenas Wayuu e ativista pelos direitos das mulheres e povos indígenas, afirmou que enfrentou ameaças e intimidações depois de denunciar os abusos realizados por paramilitares e poderosas corporações em La Guajira (nordeste da Colômbia), como as que operam na mina de carvão El Cerrejón, Glencore, BHP Billiton e Anglo-American.

Em 2014, quando El Cerrejón solicitou permissões para desviar parte do rio Ranchería, principal fonte de água dos Wayuu, Jakeline aumentou a voz contra os planos da companhia e o assédio e as ameaças aumentaram, segundo a Global Witness.

"Nos sentíamos vigiados, as pessoas perguntavam: o que estas mulheres estão fazendo? Quem coordena as coisas? Quem é essa Jakeline Romero?", disse a ativista.

A Nicarágua que, com os seus 11 assassinatos em 2016 se tornou o país mais perigoso do mundo per capita, foi centro de atenção pela oposição de seus ativistas ambientais à construção de um canal interoceânico que o Governo de Daniel Ortega outorgou mediante uma lei de concessão por 100 anos à empresa chinesa Hong Kong Canal Development Group (HKND).

Francisca Ramírez, ativista opositora ao canal, assegura que foi ameaçada, agredida e detida por se opor a este projeto. Segundo a Global Witness, em outubro, um dos seus filhos foi agredido por homens vestindo uniformes militares e mais de cem manifestantes foram presos.

Isto, somado à ocupação dos territórios indígenas e "usurpação dos recursos naturais no sul do país", são as principais causas do flagelo vivido pelos defensores, segundo a advogada e fundadora do Centro pela Justiça e Direitos Humanos da Nicarágua, Lottie Cunningham.

"O conflito (dos territórios no sul) iniciou em 2007, mas os primeiros assassinatos ocorreram em 2011, e desde então, houve 32 indígenas assassinados, 44 feridos, 22 sequestrados e atualmente 4 indígenas desaparecidos, todos em defesa de seus territórios" disse Cunningham à Agência Efe.

No caso do Brasil, a Global Witness afirma que, com suas 49 mortes em 2016, ano após ano é o país mais perigoso em termos de números absolutos.

"A indústria madereira esteve vinculada a 16 assassinatos, enquanto os fazendeiras foram os supostos autores de muitos assassinatos no Amazonas e o Governo mudou a legislação ambiental e debilitou as instituições de direitos humanos", acrescentou o relatório.

Os outros países nos quais ocorreram assassinatos de defensores do meio ambiente foram Guatemala (6), México (3) e Peru (2).

Ben Leather, representante da Global Witness indicou que "Governos, empresas e inversionistas têm o dever de garantir que as comunidades sejam consultadas sobre os projetos que as afetam, que os ativistas sejam protegidos da violência, e que os culpados sejam levados perante a Justiça".

Pelo menos 200 defensores do meio ambiente foram assassinados no mundo em 2016, mais do que o dobro do número de jornalistas (79), uma tendência que está crescendo (de 185 em 2015) e está se expandindo, com homicídios reportados em 24 países, em comparação com 16 nações em 2015.

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