Cientistas dos EUA conseguem modificar geneticamente embriões humanos

Washington, 27 jul (EFE).- Um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos conseguiu modificar por primeira vez os genes de embriões humanos de forma bem-sucedida, um feito que pode deixar a ciência mais perto de acabar com as doenças congênitas, informou nesta quinta-feira a revista "Technology Review" do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT, sigla em inglês).

A pesquisa, dirigida por Shoukhrat Mitalipov, da Universidade de Saúde e Ciências do estado do Oregon, conseguiu modificar o DNA de um grande número de embriões unicelulares com a técnica de edição de genes CRISPR.

"Até agora, os cientistas americanos viam a técnica CRISPR com uma mistura de assombro, inveja e certo alarme, já que investigadores de outros lugares foram os primeiros a explorar essa prática polêmica", de acordo com a revista, que lembrou que, até agora, três estudos sobre a modificação genética de embriões humanos tinham sido publicados por pesquisadores na China.

Agora, acredita-se que Mitalipov abriu novos caminhos, tanto no número de embriões experimentados como demonstrando que é possível corrigir de maneira segura e eficiente os genes defeituosos que causam doenças hereditárias.

Apesar de os cientistas não terem deixado que os embriões se desenvolvessem por mais de alguns poucos dias - e nunca houve intenção de implanta-los em um útero - a pesquisa representa um passo fundamental para o possível nascimento do primeiro humano geneticamente modificado.

Ao alterar o código de DNA de embriões humanos, o objetivo dos cientistas é demonstrar que é possível erradicar e corrigir os genes que causam doenças hereditárias.

O processo é denominado "engenharia de linha germinal", pois qualquer indivíduo modificado geneticamente transmitiria essas mudanças às gerações posteriores através de suas próprias células germinais: o óvulo e o esperma.

A técnica CRISPR permite eliminar de forma seletiva as sequências de DNA não desejadas do genoma utilizando a proteína nuclease para cortar os fragmentos descartáveis.

Após eliminar a parte do DNA não desejado, as células começam sua reparação natural, mas, até este momento, faziam isto introduzindo variações não desejadas do genoma que poderiam ser perigosas.

Alguns críticos dizem que os experimentos com linhas germinais poderiam abrir as portas para um novo mundo de "bebês desenhados", com capacidades superiores às atuais por melhorias genéticas, uma perspectiva à qual se opõem com veemência organizações religiosas, grupos da sociedade civil e especialistas científicos.

A comunidade de inteligência dos Estados Unidos considerou no ano passado a CRISPR como uma potencial "arma de destruição em massa", enquanto a Academia Nacional de Ciências dos EUA considerou seu uso aceitável, mas advertiu que são necessárias mais pesquisas e que a mesma só deve ser considerada em casos nos quais é o último recurso.

O método de edição do genoma CRISPR foi declarado como a descoberta científica mais importante de 2015 pelas revistas especializadas e recebeu numerosos prêmios científicos desde então. EFE

rg/rpr

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