Cientistas descobrem restos de possíveis primeiros organismos da Terra

Londres, 27 set (EFE).- As primeiras formas de vida orgânica na Terra podem ter aparecido há quase 4 bilhões de anos, conforme revela um estudo publicado nesta quarta-feira pela revista "Nature".

Nesta investigação, liderada pelo Departamento de Ciências da Terra e Astronomia da Universidade de Tóquio, no Japão, os estudiosos analisaram isótopos de carbono em material carbonoso e carbonato de rochas sedimentárias achadas no norte da Península do Labrador, na região leste do Canadá. As conclusões apontam para o fato de que nessa zona podem ter existido há 3,9 bilhões de anos algumas das primeiras formas de vida conhecida no nosso planeta.

As provas que demonstram a presença de vida no começo da história seguem sendo pobres, entre outros fatores, por conta da falta de rochas e ao precário estado de conservação do material da Era Eoarqueana, compreendida entre 3 bilhões e 850 milhões de anos atrás, segundo os cientistas.

A análise de isótopos de rochas sedimentárias do Cinturão Supracortical de Isua, no sudoeste da Groenlândia, com data de 3,7 a 3,8 bilhões de anos atrás, sugere que as partículas de grafite poderiam ter origem biogenética, ou seja, produzido por organismos vivos. Já o estudo de rochas sedimentárias de uma idade similar procedentes do Cinturão de Nuvvuagittuq, no leste do Canadá, e de Akilia, na Groenlândia, não detectou a presença de grafite biogenético.

Os especialistas da Universidade de Tóquio examinaram a presença de grafite nas rochas sedimentárias mais antigo que se conhece, encontradas em Saglek Block, ao norte da Península do Labrador, de com idade de 3,9 bilhões de anos.

Com uma detalhada análise geológica das rochas e a medição das concentrações e composições dos isótopos de grafite e do material carbonoso foi possível constatar que o grafite dessas rochas é biogenético. Além disso, os cientistas observaram que a presença de uma constante entre as temperaturas de cristalização do grafite e a temperatura metamórfica das rochas indica que o grafite não se originou como consequência de uma contaminação posterior.

Os autores sugerem que a descoberta de grafite biogenético nestas rochas da Península do Labrador poderia favorecer o estudo geoquímico dos organismos que os produziram e fornecer mais dados sobre o surgimento da vida na Terra.

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