Cientistas concordam com Nobel para trio que revolucionou biologia estrutural

Redação Central, 4 out (EFE).- A técnica de microscopia crioeletrônica desenvolvida pelos três novos ganhadores do prêmio Nobel de Química revolucionou totalmente o campo da biologia estrutural, segundo avaliaram cientistas consultados pela Agência Efe, para os quais o procedimento permite compreender melhor doenças como câncer e Alzheimer.

A Real Academia Sueca das Ciências fez nesta quarta-feira o anúncio do novo Nobel de Química, compartilhado pelo suíço Jacques Dubochet, o alemão Joachim Frank e o britânico Richard Henderson, que contribuíram para criar "um método efetivo para gerar imagens tridimensionais das moléculas da vida".

Através desta técnica, na qual as amostras são estudadas a temperaturas muito baixas, cada parte da célula pode ser observada a nível atômico, o que permitiu por exemplo visualizar centenas de biomoléculas ou proteínas que oferecem resistência à quimioterapia e a antibióticos.

Para o pesquisador espanhol Rubén Fernández Busnadiego, líder do grupo de estudo no Instituto Max Planck de Bioquímica, em Martinsried (Alemanha), trata-se de um prêmio "muito merecido", tanto pela técnica como pelos premiados.

"De fato, já estávamos esperando há alguns anos. (A técnica) está revolucionando a biologia estrutural ao possibilitar o estudo da estrutura de muitas proteínas, o que antes era inabordável", explicou.

A técnica tem muitas implicações, desde o desenvolvimento de remédios até a melhor compreensão de doenças infecciosas. Além disso, permite estudar a estrutura da célula com alta resolução - o grupo estuda doenças como Alzheimer e Huntington com o novo procedimento.

"Nos últimos anos, a maioria dos grandes centros de pesquisa de todo o mundo têm percebido este potencial e estão realizando grandes investimentos no equipamento necessário", comentou o pesquisador.

Os premiados foram pioneiros no desenvolvimento de aspectos fundamentais da técnica, desde o processo de congelamento (Dubochet, com quem o grupo Fernández já colaborou), a tecnologia (Henderson) e os métodos computacionais (Frank, que fez doutorado no Instituto Max Planck de Bioquímica).

Óscar Llorca, diretor do Programa de Biologia Estrutural do Centro Nacional de Pesquisas Oncológicas (CNIO) da Espanha, e Rafael Fernández-Leiro, chefe do Grupo de Integridade Genômica e Biologia Estrutural do mesmo programa, concordam em que este Nobel é "totalmente merecido" porque o campo da biologia estrutural foi revolucionado com a chegada da microscopia crioeletrônica.

A biologia estrutural permite observar as macromoléculas que fazem os processos celulares a nível atômico. Obter esta informação é fundamental para entender os mecanismos moleculares através dos quais fazem a sua função e como interagem com outras moléculas - outras proteínas, DNA ou remédios.

Para estes pesquisadores, entender os processos moleculares envolvidos, por exemplo, em uma doença tão complexa como o câncer é indispensável para agir de maneira eficiente e específica.

A biologia estrutural ajuda a entender estes processos e agora, com a microscopia crioeletrônica, é possível abordar sistemas que antes não eram possíveis, segundo cientistas especialistas nesta técnica.

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