Cientistas observam pela 1ª vez luz e ondas gravitacionais de evento cósmico

Washington, 16 out (EFE).- Uma equipe internacional de cientistas anunciou nesta segunda-feira que conseguiu observar através da luz emitida e das ondas gravitacionais a fusão de duas estrelas de nêutrons, o que inaugura "uma nova era" na observação do Universo.

Essas observações, realizadas em 17 de agosto, "sugerem" que os sinais localizados são o resultado da fusão de duas estrelas de nêutrons, um evento chamado kilonova, cuja existência foi teorizada há 30 anos, mas esta é sua primeira observação confirmada.

"O que torna esta descoberta ainda mais excitante é que os cientistas foram capazes de detectar pela primeira vez a emissão de luz, ou seja, radiação eletromagnética", declarou em uma entrevista coletiva em Washington France Córdova, diretora do Fundação Nacional de Ciência dos EUA.

O anúncio, que foi realizado durante a Conferência Astrofísica de Ondas Gravitacionais que está sendo realizada hoje na cidade americana de Baton Rouge, no estado da Louisiana, confirmou que esta é a primeira vez que os astrônomos puderam observar ondas gravitacionais e radiação eletromagnética (luz) no mesmo evento.

Os observatórios de ondas gravitacionais Ligo (EUA) e Virgo (Itália) detectaram em agosto o quinto evento de ondas, mas, segundos mais tarde, vários observatórios espaciais da Agência Espacial Europeia (ESA, sigla em inglês) identificaram uma pequena explosão de raios gama que foi acompanhada por telescópios do Observatório Europeu do Sul (ESO, sigla em inglês).

Estima-se que as ondas gravitacionais detectadas em agosto foram emitidas a cerca de 130 milhões de anos luz de distância, o que o transforma no evento de ondas gravitacionais e de explosão de raios gama mais próximo detectado até agora.

"Há ocasiões excepcionais nas quais, nós que nos dedicamos à ciência, temos a oportunidade de presenciar o princípio de uma nova era, e esta é uma delas!", afirmou a astrônoma do Instituto Nacional de Astrofísica dos EUA, Elena Pian, autora principal de um dos artigos sobre o tema publicado nesta segunda-feira na revista especializada "Nature".

"As ondas gravitacionais só podem ser geradas pelos eventos astronômicos mais espetaculares, como o choque de dois buracos negros", explicou France Córdova, que acrescentou que esta descoberta é uma prova do que o ser humano pode fazer quando vai "além" de seu conhecimento "em busca de respostas".

Durante o anúncio, o diretor-executivo dos observatórios Ligo, Dave Reitze, explicou que, durante o evento, foi possível ver a dispersão de ouro e platina, o que serviu para descobrir que estes elementos "são gerados por este tipo de colisões".

"Este antigo relógio do meu avô está composto por ouro que possivelmente foi criado há bilhões de anos. É uma descoberta assombrosa!", comentou Reitze.

Para o cientista do projeto integral da ESA, Erik Kuulkers, "trata-se de um desconto histórico, já que nos mostra pela primeira vez a emissão tanto de ondas gravitacionais como de luz extremamente energética procedente de uma mesma fonte cósmica", ao ser citado em um comunicado.

A existência das ondas gravitacionais foi teorizada no início do século XX por Albert Einstein, mas sua detecção não aconteceu até 2015, um feito que foi agraciado com o Prêmio Nobel de Física este ano.

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