Satélite chinês que estuda matéria escura obtém primeiros resultados

Londres, 29 nov (EFE).- O satélite chinês DAMPE (explorador de partículas de matéria escura), colocado em órbita em dezembro de 2015, obteve seus primeiros resultados científicos, que podem ajudar a compreender a natureza das partículas mais abundantes do universo, segundo publicou a revista "Nature" nesta quarta-feira.

O explorador, um dos primeiros grandes projetos de pesquisa astronômica da China, mediu uma ruptura no espectro energético dos raios cósmicos em categoria próxima a 0,9 teraelétron-volt (TeV), dados que contribuirão para estudar a enigmática matéria escura.

Em seus primeiros 530 dias de operações - até 8 de junho - a missão chinesa detectou 1,5 milhão de raios cósmicos de elétrons e pósitrons acima de 25 gigaelétron-volt (GeV), segundo divulgou a Academia Chinesa das Ciências (CAS) em comunicado.

Junto com os dados sobre a radiação cósmica de fundo em micro-ondas, as medições de raios gama de alta energia e a informação de outros telescópios astronômicos, DAMPE pode ajudar a esclarecer a natureza do "decaimento ou aniquilação de particulas de matéria escura", afirmou Fan Yizhong, chefe adjunto do projeto.

O pesquisador afirmou que o satélite, no qual também colaboram instituições suíças e italianas, busca "revelar novos fenômenos do universo na janela dos teraelétron-volts".

Os cientistas consideram que apenas 4% do Universo são matéria comum, enquanto 26% são matéria escura, que não ainda não foi identificada além dos seus efeitos gravitacionais.

Uma parte deste estudo busca detectar a aniquilação ou a diminuição de partículas que chegam de objetos cósmicos como pulsares e remanescentes de supernovas.

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