Fenômeno raro, Superlua azul de sangue com eclipse ganha atenção mundial

Bangcoc, 31 jan (EFE).- A lua ganhou nesta quarta-feira um tom avermelhado devido ao eclipse total que ocorre quando o satélite natural está no ponto mais próximo à Terra, um fenômeno seguido por milhões de pessoas no mundo.

O dia de hoje coincide, além disso, com a segunda lua cheia do mês, um evento que alguns batizaram como eclipse da Superlua "azul de sangue" e que pôde ser observado principalmente na América do Norte, Pacífico, Ásia e Oceania.

Na Europa Ocidental, na América do Sul e na África, porém, não foi possível observar o eclipse total pelo horário no qual ocorreu.

O eclipse começou às 12h52 GMT (10h52, em Brasília), o momento culminante foi às 13h29 GMT (11h29, em Brasília) e o evento terminou às 14h07 GMT (12h07, em Brasília), de acordo com a Agência Espacial dos Estados Unidos (Nasa).

Com as condições atmosféricas propícias, os interessados conseguiram observar como a lua ganhou uma cor cobre sem necessidade de usar óculos especiais, como no caso dos eclipses solares.

Os eclipses lunares ocorrem quando a Terra se encontra entre o Sol e o satélite, o que é visível desde os lugares onde a Lua está sobre o horizonte no momento do fenômeno.

Durante a totalidade, a lua inteira fica dentro do cone de sombra e mesmo que não desapareã da vista, adquire uma tonalidade avermelhada, razão pela qual alguns meios e nas redes sociais foi batizada como "lua de sangue".

Isto ocorre porque a Lua reflete a luz vermelha do Sol refratada pela atmosfera terrestre, que só filtra os componentes azuis.

O eclipse coincidiu com uma "Superlua", que é quando o satélite terrestre se encontra em seu perigeu, como é denominado seu ponto mais próximo à Terra (apogeu é o mais distante).

Durante o perigeu, o diâmetro do satélite pode aumentar em até 14%, o que não se distingue à simples vista, e também aumenta seu brilho.

O terceiro fenômeno simultâneo em grande parte do planeta é que se tratou da segunda lua cheia do mês - o que em inglês chamam de "Lua Azul", ainda que não tenha nada a ver com essa cor -, um fenômeno que ocorre em média a cada 2,7 anos.

A Nasa, que transmitiu o eclipse ao vivo em seu site, indicou que neste ano haverá outro eclipse total da Lua em 27 de junho.

O astrofísico espanhol Angel López-Sánchez, do Observatório Astronômico Australiano (AAO, siglas em inglês), explicou em um artigo ao site "Naukas" que o termo "Superlua" foi cunhado em 1979 por um astrólogo americano chamado Richar Nolle.

Segundo López-Sánchez, que critica os superlativos para qualificar os fenômenos astronômicos, esse astrólogo "possivelmente" não conhecia o termo perigeu.

O conceito "Lua Azul" se refere a quando o satélite aparece de cor azulado por fumaça ou partículas na atmosfera, mas também é utilizado para designar a segunda lua cheia do mês no mundo anglo-saxão.

Isto se deve a um erro cometido pelo astrônomo James Hugh Pruett, que se confundiu na acepção do termo em um artigo na revista "Sky &Telescope" em 1945.

Em países como Índia, Tailândia e Indonésia, o eclipse da lua é explicado também como um fenômeno mitológico.

Segundo à mitologia hindu, o deus Vishnu cortou a cabeça de um demônio, mas este não faleceu porque tinha bebido água sagrada que outorgava a imortalidade.

Desde então, Rahu, a cabeça imortal deste demônio, a cada período de tempo engole a deusa lua, à qual culpa por seu destino ou por quem, segundo outras versões, é apaixonado.

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