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Via Láctea deve continuar crescendo, aponta estudo

Yevhen Samuchenko
Na imagem, Via Láctea é retratada acima das nuvens do Himalaia, no Nepal, por Yevhen Samuchenko Imagem: Yevhen Samuchenko

Em Londres

03/04/2018 11h31

A Via Láctea, composta por bilhões de estrelas, poderia continuar aumentando de tamanho, é o que revela um estudo apresentado na Semana Europeia de Astronomia e Ciência Espacial (EWASS, na sigla em inglês), que começa nesta terça-feira (3) em Liverpool, no Reino Unido.

A galáxia em que habitamos "já é bastante grande", mas o estudo "mostra que sua parte visível, pelo menos, está aumentado de tamanho lentamente, na medida em que as estrelas se formam em seus arredores", explicou em comunicado uma das autoras, Cristina Martínez-Lombilla, do Instituto de Astrofísica das Ilhas Canárias, na Espanha.

A especialista apresentará em detalhe as conclusões do estudo na EWASS 2018, junto com seus colegas da Sociedade Astronômica Real (Reino Unido) e da Sociedade Astronômica Europeia.

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O crescimento de nossa galáxia "não será rápido", pois "se pudéssemos viajar ao futuro para ver" a Via Láctea dentro de 3 bilhões de anos, "constataríamos que (ela) seria em torno de 5% maior do que agora", explicou Martínez-Lombilla.

De acordo com a especialista, entre as dificuldades com as quais se deparam os cientistas para estudar a expansão da Via Láctea está o fato de que "estamos dentro dela", por isso é preciso buscar outras galáxias similares para traçar paralelos.

$escape.getH()uolbr_geraModulos('embed-foto','/2018/via-lactea-1522778431498.vm')A equipe de pesquisadores analisou dados obtidos através do Sloan Digital Sky Survey (SDSS) - um projeto de astronomia que gera mapas detalhados do Universo - e dos telescópios espaciais GALEX e Spitzer.

Com esses instrumentos, os cientistas estudaram as cores e movimentos das estrelas situadas na zona exterior do disco que faz parte de outras galáxias, a fim de calcular sua velocidade de deslocamento e seu impacto no crescimento da respectiva galáxia.

Os especialistas comprovaram que galáxias similares à nossa crescem a um ritmo aproximado de 500 metros por segundo, o suficientemente rápido para cobrir em aproximadamente 12 minutos os quase 355 quilômetros que separam Londres de Liverpool.

Este processo de expansão, conforme advertem os especialistas, poderia ser alterado em um futuro distante, pois eles preveem que a Via Láctea se chocará com a galáxia de Andrômeda dentro de aproximadamente 4 bilhões de anos, o que mudaria radicalmente a forma das duas após a fusão.

Além dessa pesquisa, os especialistas da Sociedade Astronômica Real e a Sociedade Astronômica Europeia, junto com outros especialistas do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês), apresentam na EWASS 2018 o primeiro mapa cronológico em grande escala do núcleo da Via Láctea.

O trabalho sugere que a estrutura complexa que faz parte do coração da nossa galáxia foi fruto de um período de criação de estrelas que durou em torno de 4 bilhões de anos.

A equipe liderada pela ESO analisou a cor, a luminosidade e a informação espectral da composição química de estrelas específicas para produzir o citado mapa cronológico do interior da Via Láctea.

Além disso, os cientistas usaram "dados simulados e observados" oferecidos pelo programa "The VISTA Variables in the Via Lactea" (VVV), que captura imagens da parte central da galáxia.

Depois, os cientistas compararam esses dados com medidas do conteúdo de metal de aproximadamente 6 mil estrelas situadas ao longo do bulbo interior da galáxia, proporcionadas pelo espectrógrafo GIRAFFE/FLAMES e o telescópio GIBS da ESO.

"Analisamos a cor e a luminosidade de estrelas para descobrir aquelas que alcançaram o ponto de esgotamento do hidrogênio de seu núcleo que queimam como combustível, o que é um indicador cronológico sensível", disse Marina Rejkuba, uma das autoras da pesquisa.

Segundo a especialista, suas conclusões indicam que o bulbo da Via Láctea se formou durante um período de aproximadamente 4 bilhões de anos que, por sua vez, começou há cerca de 11 bilhões de anos.

"As estrelas mais jovens que observamos têm idade de cerca de 7 bilhões de anos, o que é mais antigo que as estimativas apresentadas em estudos anteriores", acrescentou Rejkuba.

Outra coautora do estudo, Elena Valenti, lembrou que o objetivo final deste projeto é a elaboração de um mapa que detalhe o ritmo de formação histórico das estrelas de todo o bulbo da Via Láctea.