Enfraquecimento de correntes do Atlântico pode mudar o clima, diz pesquisa

Londres, 11 abr (EFE).- Um grupo internacional de cientistas constatou que o recente enfraquecimento do sistema de correntes do Atlântico pode influenciar no clima no futuro, segundo explicam dois trabalhos publicados nesta quarta-feira pela revista "Nature".

A primeira pesquisa, liderada pela University College London (R.Unido), investiga o impacto que esse processo tem sobre um sistema de correntes conhecido como Circulação Meridional de Retorno do Atlântico (AMOC, por sua sigla em inglês).

O AMOC, lembram os especialistas, tem uma grande influência sobre o clima, pois redistribui calor e afeta o ciclo do carbono, mas era desconhecido até agora se o aparente enfraquecimento experimentado nas últimas décadas poderia se manifestar em uma variabilidade natural a longo prazo.

Os autores deste estudo, com o geógrafo David Thornalley na liderança, apresentaram "evidências paleio-oceanográficas" que demonstram que a corrente de convecção profunda do AMOC e do Mar do Labrador - entre a península canadense de Labrador e a ilha dinamarquesa da Groenlândia -, foi inusualmente débil desde o final da Pequena Idade de Gelo, em comparação com os 1,5 mil anos anteriores.

A Pequena Idade de Gelo é o período frio mais importante da Hemisfério Norte desde o final do século XIV até o XIX.

Os especialistas sustentam neste novo estudo que o fim da Pequena Idade do Gelo esteve marcado por uma descarga de água doce do Ártico e mares nórdicos, o que provocou a alteração do AMOC.

No entanto, ainda não está claro se essa transição ocorreu de maneira abrupta para o final desse período frio, após 1850, ou através de um processo mais gradual durante os últimos 150 anos.

A segunda pesquisa, desenvolvida pelo Instituto Potsdam de Análise de Impacto Climático (Alemanha), combina conjuntos de modelos climáticos globais com bases de dados de temperaturas globais da superfície do mar.

Esta metodologia levou os cientistas a identificar uma "marca" que indica que a AMOC experimentou uma desaceleração de cerca de três "sverdrups" (unidade de medida do fluxo de volume por unidade de tempo), ou seja, de quase 15% desde meados do século XX.

Essa "marca", que é mais pronunciada durante os invernos e primaveras, leva a um esfriamento da zona subpolar do Oceano Atlântico, causada por uma queda do transporte de calor, e um aquecimento na região do Corrente do Golfo, provocado por um deslocamento da sua rota para o norte.

A mudança climática antopogênica é o "principal suspeito" desse enfraquecimento que "pode ter efeitos importantes, especialmente no clima Europeu", segundo um comunicado da Universidade Complutense, uma das participantes no estudo.

Ambos estudos diferem na cronologia da desaceleração do AMOC, devido, segundo alguns autores, às nuances contidas na própria definição deste sistema de correntes.

Em um artigo que acompanha os dois trabalhos, Summer Praetorius, do US Geological Survey da Califórnia (EUA), opina que, "pelo menos desde o ponto de vista científico", as partes concordam que o "AMOC moderno" está em "um estado relativamente débil".

Por outro lado, acrescenta a especialista, em relação com o estudo de cenários de mudança climática futuros, estas divergências são "talvez menos tranquilizadoras" porque um "AMOC debilitado poderia gerar alterações consideráveis nos padrões do clima e de precipitações em todo o Hemisfério Norte".

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