Chuvas afetam mais de meio milhão pessoas na Somália

Nairóbi, 2 mai (EFE).- As fortes chuvas que nas últimas semanas causaram graves inundações e transbordamentos de rios na Somália, sobretudo no sul, afetaram mais de 582 mil pessoas e provocaram 200 mil deslocamentos, informou nesta quarta-feira a ONU.

A probabilidade de ocorrer chuvas tão abundantes e desta magnitude é uma vez a cada 15 anos, segundo o último relatório publicado pelo Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

Nesta temporada de chuvas - que começou em abril e se estende até junho -, 150 mil pessoas foram deslocadas pelo aumento do nível do rio Shabelle, um dos dois principais do país, que passa pela parte sul e provocou a perda de cultivos e de multidão de lares.

Além disso, outras 20 mil pessoas foram afetadas em zonas próximas à Bacia deste rio, e 7 mil a mais nos arredores de Jowhar, população próxima a Mogadíscio.

No estado de Jubaland, no extremo sul do país, 42,3 mil das 165 mil pessoas afetadas foram obrigadas a deixar seus lares, e os agricultores perderam a maioria dos cultivos.

Várias populações que acolhem deslocados internos também foram gravemente assoladas, como a cidade de Baidoa (sul), com 174 mil deslocados, e a região de Banadir (onde se encontra a capital somalí), com 54 mil pessoas majoritariamente de campos de deslocados.

As inundações despertaram medo de que disparem os casos de cólera, que já atingem quatro regiões desde dezembro de 2017 e quase 2,5 mil pessoas, com 10 mortos por infecção intestinal.

Na Somália calcula-se que 5,4 milhões de pessoas necessitem de ajuda e 2,7 milhões estão em situação de emergência e crise humanitária, segundo os dados de OCHA.

O país foi castigado por uma grave seca em 2016, que fez com que, junto com a insegurança e o conflito, mais de um milhão de pessoas fugissem de seus lares.

As necessidades de segurança alimentar quase duplicaram a média de cinco anos, com um número estimado de 2,4 milhões pessoas em crise e 866 mil em situação de emergência, segundo a ONU.

Além disso, o número de somalis à beira da fome multiplicou por dez desde o ano passado e estima-se que 1,2 milhão de crianças estejam desnutridas em 2018, das quais 232 mil enfrentarão uma grave desnutrição potencialmente mortal.

Embora a seca tenha sido a principal causa de deslocamento na Somália no ano passado, a atividade do grupo terrorista Al Shabab, que pretende instaurar um Estado islâmico de corte wahhabista no país, também provocou vários deslocados.

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