Nasa anuncia descoberta de moléculas orgânicas de 3 bilhões de anos em Marte

  • Nasa/JPL-Caltech/MSSS

A Nasa anunciou nesta quinta-feira (7) que o robô de exploração Curiosity, uma missão que pousou em Marte em 2012, encontrou moléculas orgânicas formadas há mais de 3 bilhões de anos em rochas do planeta vermelho, uma descoberta que pode indicar a existência de vida fora da Terra.

Essa é uma descoberta muito emocionante, mas não podemos ainda confirmar a origem destas moléculas. Pode ser uma prova de vida, mas também pode pertencer a um meteorito ou a outras fontes" 

Paul Mahaffy, diretor da divisão de Exploração do Sistema Solar da Nasa

Apesar de a origem das moléculas ainda não estar clara, a Nasa destacou que esse tipo de partícula pode ter sido a fonte de alimento de uma hipotética vida microbiana em Marte.

"Sabemos que, na Terra, os micro-organismos comem todo tipo de produtos orgânicos. É uma fonte de alimento valioso para eles", afirmou Jennifer Eigenbrode, do Centro Espacial Goddard da Nasa.

AFP/NASA
O robô de exploração Curiosity da Nasa, enviado à Marte
Dessa forma, a descoberta não confirma a existência de vida no planeta, explicou a especialista, mas mostra que os organismos podem ter sobrevivido em Marte graças à presença dessas moléculas.

Eigenbrode explicou que apesar de a superfície de Marte ser inóspita atualmente, os indícios apontam que, no passado remoto, o clima marciano dava condições propícias para a existência de água líquida, um fator essencial para a vida como conhecemos.

Dados recolhidos pelo Curiosity revelam que há bilhões de anos um lago dentro da cratera Gale continha todos os ingredientes necessários para a vida - componentes químicos e energia.

"Encontrar moléculas orgânicas nos primeiros cinco centímetros de rocha, que se depositaram quando Marte pode ter sido habitável, é um bom presságio para que aprendamos a história das moléculas orgânicas no planeta vermelho com futuras missões que aprofundarão mais nosso conhecimento", afirmou.

A missão do robô Curiosity, que em 2013 descobriu os primeiros indícios de água em Marte, também determinou que a concentração de metano na atmosfera do planeta muda de acordo com as estações. Ela é mais alta perto dos equinócios (primavera e outono) e mais baixa nos solstícios (verão e inverno).

A origem do gás ainda é desconhecida. Uma das principais teorias sustenta que ele estava armazenado em reservatórios subterrâneos, batizados como "clatratos".

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