Especialistas explicam quando é preciso tratar a timidez

Chris Bueno

Especial para o UOL Ciência e Saúde

Os psicólogos dividem a timidez em dois tipos: a situacional e a crônica. A situacional é a que quase todos experimentam em ocasiões específicas, como falar em público. Já a timidez crônica é constante, ou seja, a pessoa experimenta dificuldades em praticamente todas as áreas do convívio social.

 

Um tímido crônico tem dificuldades em falar com estranhos, fazer amigos, tem uma autoimagem negativa, sente-se incapaz de vencer obstáculos ou passar por situações novas, tem medo de avaliação negativa e de parecer "bobo" diante dos outros, é inseguro e se preocupa excessivamente com as opiniões e julgamentos alheios. Além disso, muitas vezes é tomado por sentimentos de vergonha, tristeza e solidão.

 

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Um pouco de timidez ser até saudável, já que torna o indivíduo mais cauteloso, menos impulsivo e mais atento aos comportamentos e sentimentos dos outros
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A expressão corporal também revela o desconforto interno do tímido: apresenta pouco contato visual, baixo volume de voz, rubor e gagueira ao falar, além de falar e gesticular muito pouco durante conversas.

 

Uma pessoa que apresenta esse quadro está sofrendo e precisa de ajuda, como alerta o psicólogo René Schubert. “Quando a timidez chega ao ponto em que indivíduo apresenta tais fenômenos de sofrimento e começa a isolar-se cada vez mais de eventos e situações de troca relacional ou exposição social, um tratamento psicoterapêutico e, por vezes, psiquiátrico é mais do que indicado”, diz.

 

O tratamento para a timidez é subjetivo, ou seja, varia de acordo com cada pessoa. O primeiro passo, no entanto, é o mesmo para todos: reconhecer sua timidez, o sofrimento causado por isso e que precisa de ajuda para enfrentar o problema. “Antes de mais nada, é preciso que a pessoa entenda que ser tímido não é um defeito; que as pessoas são diferentes e que não se tornam melhores ou piores se forem mais ou menos tímidas, mais ou menos altas, mais ou menos magras etc. É preciso aprender a lidar com essa característica e se for realmente muito difícil, buscar ajuda”, explica a psicoterapeuta Sâmara Jorge.


Buscando ajuda


Para vencer a timidez, é preciso uma dose de boa vontade. É preciso se abrir um pouco, por mais difícil que isso seja para um tímido. Dependendo das queixas, o psicólogo ou psicoterapeuta vai buscar, sempre junto com o paciente, qual a situação que se apresenta e quais são as ferramentas para lidar com cada situação. Cada pessoa possui um ritmo diferente e o tímido precisa de um tempo maior para estabelecer relações sociais e enfrentar situações novas. É preciso encontrar - e respeitar - esse ritmo.


Atividades como teatro e dança apresentam bons resultados no processo de superação do problema. “Além disso, o enfrentamento de situações difíceis e geradoras de ansiedade, sob acompanhamento e orientação de um psicólogo, é uma das melhores alternativas”, declara Schubert. Só em alguns poucos casos, quando o grau de ansiedade é elevado, existe a necessidade de medicação. Nesses casos, o paciente é encaminhado para o psiquiatra, que prescreverá o remédio para amenizar os sintomas.

 

Porém, passar pelo tratamento não significa que a pessoa vai se tornar extrovertida, comunicativa e a mais popular da escola ou do trabalho. Como a timidez é um traço da personalidade, a pessoa provavelmente continuará a ser tímida, mas não irá sofrer com isso, pois estará no controle da situação. “É preciso enxergar a timidez não como um defeito, mas como um traço de personalidade, um jeito de ser, como tantos outros, e aprender a conviver com isso”, avalia Jorge.


 

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