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Nova espécie de macaco zogue-zogue é descoberta na Amazônia colombiana

Javier Garcia/CI
Apesar de recém-descoberto, o macaco já está ameaçado de extinção; veja álbum do mês Imagem: Javier Garcia/CI

Da Redação

12/08/2010 13h39

Uma nova espécie de macaco zogue-zogue (Callicebus caquetensis), do tamanho de um gato, foi descoberta recentemente em uma expedição científica à Amazônia, anunciou nesta quinta-feira (12) a Conservação Internacional (CI).

Os pesquisadores da Universidade Nacional da Colômbia que descobriram o primata já consideram a espécie extremamente ameaçada, uma vez que sua população é bastante reduzida e a floresta onde vive está sendo destruída.

A descoberta, anunciada no jornal científico Primate Conservation, foi feita pelos professores Thomas Defler e Marta Bueno e pelo estudante Javier García, após uma expedição realizada em 2008 ao estado colombiano de Caquetá, que fica perto da fronteira com o Equador e o Peru.

A expedição aconteceu mais de três décadas depois que Martin Moynhian, conhecido especialista em comportamento animal, visitou a região e fez os primeiros relatos da espécie.

Durante muitos anos, foi impossível viajar a Caquetá devido à presença de guerrilhas armadas. Quando a violência diminuiu há cerca de três anos, Javier García, nativo da região, pôde viajar para a cabeceira do Rio Caquetá e, por meio de caminhadas e uso de GPS encontrou 13 grupos da nova espécie.

O grupo dos macacos zogue-zogue (também chamados no Brasil de guigó ou sauá) possui um dos chamados (sons emitidos pelos macacos) mais complexos do reino animal e o utilizam toda manhã para anunciar o seu território.

Essa recém-descoberta espécie, entretanto, já tem sua sobrevivência ameaçada. Acredita-se que existem menos de 250 zogue-zogue de Caquetá, ao passo que uma população saudável deveria estar em torno de milhares de indivíduos. A principal razão para esse número reduzido é a destruição das florestas da região que têm sido abertas para plantios agrícolas. Isso diminui drasticamente as áreas para esses animais se reproduzirem, encontrarem alimentos e sobreviverem.

Tanto a população reduzida quanto o habitat fragmentado justificam a classificação do Callicebus caquetensis como uma espécie Criticamente em Perigo (CR), segundo o critério da União Mundial para a Conservação da Natureza (IUCN, da sigla em inglês). Isso significa que esse animal enfrenta um risco extremamente alto de extinção no futuro muito próximo.

A pesquisa foi financiada pelo Primate Action Fund da Conservação Internacional, pela Iniciativa de Espécies Ameaçadas da CI-Colômbia, criada em homenagem ao conservacionista e biólogo colombiano Jorge Hernández Camacho, pelo Fondo para la Acción Ambiental y la Niñez e pela Fundación Omacha.