Um terço das grávidas atendidas na rede pública sofre de depressão ou ansiedade

Do UOL Ciência e Saúde

Em São Paulo

Um terço das gestantes atendidas na rede pública de saúde sofre com sintomas de ansiedade e depressão. É o que mostra estudo realizado na Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) e publicado no “Journal of Psychosomatic Obstetrics & Gynecology”. Apesar da necessidade de tratar o problema, no entanto, o trabalho sugere que ele não interfere no peso da criança ao nascer ou na ocorrência de partos prematuros, ao contrário do que outros pesquisadores já sugeriram.

O estudo contou com 831 gestantes com uma idade média de 25 anos. A prevalência de transtornos mentais como ansiedade e depressão foi de 33%. Entre as mulheres que apresentavam os sintomas, apenas 7,6% dos bebês nasceram com baixo peso (menos de 2,5 Kg) e 6,9% tiveram parto prematuro (antes da 37ª semana), valores não muito diferentes dos encontrados entre as grávidas sem o problema.

O coordenador do estudo, o ginecologista Alexandre Faisal, blogueiro do UOL, explica que a relação esse tipo de transtorno na gravidez e complicações no parto ou baixo peso ao nascer é controversa: alguns estudos indicam que há interferência, enquanto outros dizem que não. “Uma revisão recente de diversos estudos defende a associação, mas ao mesmo tempo diz que ela é modesta e que depende de contextos socioeconômicos (ou seja, do grau de desenvolvimento da população estudada)”, diz.

Os fatores que mais predispõem a gestante a sintomas ansiosos e depressivos são baixo nível socioeconômico, conflitos conjugais, falta de suporte social, histórico pessoal e familiar de depressão ou outro problema psiquiátrico e ausência de planejamento da gravidez.

Ainda que o problema não interfira tanto na saúde do bebê ao nascer, Faisal alerta que deixar de tratá-lo na gravidez pode trazer consequências para a criança no futuro. Gestantes deprimidas ou ansiosas têm maior risco de sofrer depressão pós-parto, o que prejudica o desempenho da mãe em um momento crítico do bebê. “Estudos que acompanharam o desenvolvimento psicossocial e motor dos filhos de mães deprimidas mostram uma série de complicações, como pior performance em testes, prejuízo nos relacionamentos sociais, comportamento antissocial, isolamento e tendência a depressão”, relata.

O tratamento da depressão durante a gravidez pode envolver o uso de medicamentos, mas de forma criteriosa. O ginecologista afirma que existem trabalhos associando alguns tipos de antidepressivos a malformações fetais, por isso os médicos costumam avaliar muito bem o custo-benefício da terapia, além de evitar a prescrição no primeiro trimestre de gestação e tentar sempre a menor dose possível. Já para casos leves ou moderados, a primeira opção pode ser a psicoterapia, que gera melhora dos sintomas em 60% das vezes.

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