Mais conhecido na Europa e nos EUA, copo menstrual já é vendido no Brasil

Chris Bueno

Do UOL Ciência e Saúde

Os copos menstruais chegaram ao mercado brasileiro no final do ano passado. Apesar disso, muitas mulheres já conheciam o produto de viagens para a Europa e os Estados Unidos.

No começo, utilizar o copo ao invés dos tradicionais absorventes pode parecer uma ideia estranha, como relatam as usuárias que registram depoimentos nos sites dos fabricantes. Mas todas elas informam que, superada a inexperiência inicial, a satisfação é garantida. "Sem sujeira, sem bagunça, sem vazamento, sem lixo, sem mais gastos, sem irritação na pele, sem cheiro", descreve uma delas.

Embora pareça novidade, os copos menstruais não são uma invenção recente. "Eles existem desde a década de 1930, mas só agora estão sendo usados, principalmente na Europa. Essa maior procura que acontece hoje é atribuída a preocupação com o meio ambiente, que leva as pessoas a buscar formas de diminuir a produção de lixo", conta o ginecologista Vamberto Maia.

Diz a lenda, inclusive, que até Cleópatra já usava um protótipo de copo menstrual. Só que naquela época, as mulheres não contavam com o silicone cirúrgico, é claro, e tinham que recorrer a peles de animais e outros materiais.

A "nova onda" do produto começou em 2002, quando a marca inglesa Moon Cup começou a investir em publicidade, apontando as vantagens do produto – especialmente a ecológica. Depois dela, várias se seguiram. No Brasil, a primeira marca a comercializar o copo menstrual é a Miss Cup.

Apesar de ser vendido em vários tamanhos nos EUA e na Europa, no Brasil o produto é encontrado apenas em dois: 25 ml e 30 ml. O primeiro é recomendado para mulheres com fluxo normal ou baixo e que nunca tiveram filhos, e o segundo, para mulheres que já tiveram filhos por parto vaginal ou as que têm um fluxo menstrual mais intenso. 

O preço médio do copo menstrual é R$ 85,00. O problema é encontrar o produto: ele ainda  não está em muitas farmácias (só as que vendem importados). O mais fácil é comprá-los pela internet.

Ecologicamente (e economicamente) correto

O grande diferencial do copo menstrual é justamente o fato de ser reutilizável. Afinal, pensar na quantidade de absorventes descartados todos os dias e saber que eles levam cerca de 100 anos para desaparecer na natureza traz incômodo para quem tem consciência ecológica. Durante sua vida fértil, uma mulher se desfaz, em média, de 10 mil absorventes ou tampões internos.

Além disso, muitas mulheres têm alergia aos absorventes tradicionais, o que não ocorre com o copo menstrual, já que ele é feito de um silicone cirúrgico hipoalergênico e antibacteriano. Isso também faz com que o produto seja macio e flexível, o que não atrapalha a movimentação.

No final das contas, o produto também é mais econômico: após um investimento inicial de cerca de R$ 80,00, você fica aproximadamente 10 anos sem comprar todo mês um ou dois pacotes de absorvente, que podem custar de R$ 3,00 a R$ 6,00 – o que equivale a mais ou menos  R$ 500,00 ao final de dez anos.

No entanto, apesar de todas essas vantagens, as mulheres brasileiras ainda resistem à novidade. A procura ainda é pequena – e isso não se deve apenas à falta de publicidade sobre o produto, mas também ao receio das mulheres. "Claro que sempre que temos um produto de uso interno na vagina ele poderá enfrentar alguns tabus e barreiras, mas nada que nos dias atuais não seja rapidamente superado", acredita Maia. Se o produto vai pegar por aqui ou não, só o tempo dirá.

 

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