Fracassos de missões a Marte fazem cientistas falarem em "maldição"

Tatiana Pronin

Do UOL Ciência e Saúde*, em São Paulo

Apesar de ser um dos planetas mais próximos da Terra, Marte ainda é um lugar difícil de ser visitado. Alguns cientistas chegam a falar em “demônio" ou "maldição de Marte”, uma força imaginária que sabotaria as naves destinadas ao planeta vermelho. Desde 1960, mais de quarenta missões foram organizadas para estudar nosso vizinho e mais da metade terminou em fracasso, como informa a Agência Espacial Europeia em seu site.

A primeira tentativa foi feita pelos soviéticos, em 1960. Mas a nave Korabl 4 não chegoua alcançar nem a órbita da Terra. A antiga URSS ainda teve que engolir os fracassos das missões Korabl 5, Korabl 11 e Korabl 13, em 1962, e ainda falhou ao enviar a Mars 1, no mesmo ano.

Mariner 4

A primeira missão bem sucedida à Marte ocorreu em novembro de 1964 e foi protagonizada pelos EUA, após um fracasso no ano anterior. A sonda Mariner 4 passou a 9.000 quilômetros do planeta no ano seguinte, enviando 22 fotos – os primeiros “closes” de outro planeta conseguidos até então .

As imagens revelaram crateras parecidas com a da Lua e desfizeram os mitos sobre a existência de civilizações marcianas.

A missão Mariner 6 resultou no envio de 75 imagens e a Mariner 7, em 126. A oitava missão do gênero não deu certo e, em 1971, a Mariner 9 tornou-se o primeiro satélite artificial de Marte, enviando um total de 7.329 imagens do planeta vermelho ao longo de um ano.

Enquanto isso, os soviéticos continuavam na luta. As naves Mars 2 e 3 foram lançadas naquele mesmo ano. A 2 chegou a entrar em órbita e lançou uma sonda, que se espatifou sobre a superfície de Marte. Apesar de tudo, foi o primeiro objeto feito pelo homem a tocar o planeta vizinho.

Já a Mars 3 alcançou com sucesso a órbita de Marte, enviando dados por cerca de oito meses, mas a sonda lançada para a superfície do planeta durou apenas alguns segundos. Especialistas suspeitam que o equipamento foi destruído por uma tempestade de poeira marciana.

Viking

Em 1975, as missões Viking 1 e 2, na Nasa, elevaram a exploração de Marte a um novo patamar. Cada uma era composta por um orbitador e uma sonda, e ambas fizeram imagens detalhadas da superfície do planeta, revelando a paisagem desértica que hoje conhecemos bem por imagens. Na ocasião, os cientistas chegaram a um consenso de que não há vida em Marte

Outras tentativas fracassadas marcaram a exploração à Marte nos anos seguintes, como as missões soviéticas Phobos, em 1988. A primeira saiu da rota e a segunda ficou perdida perto da lua marciana que inspirou seu nome. Os EUA também amargaram um novo fracasso em 1992, com a Mars Observer.

Depois de 20 anos de azar, a missão Mars Global Surveyor, da Nasa, conseguiu chegar ao planeta em 1997 e enviou mais imagens do que todas as missões anteriores juntas.

No mesmo ano, os norte-americanos lançaram a missão Mars Pathfinder, com um pequeno veículo de exploração chamado Sojourner, que analisou rochas marcianas ao longo de várias semanas.

Mas a maldição não havia cessado. As quatro missões seguintes foram literalmente para o espaço: a russa Mars 96, com diversos experimentos europeus, perdeu-se em um acidente, assim como as norte-americanas Mars Climate Orbiter, Mars Polar Lander e Deep Space, todas em 1999.

Em 2001, no entanto, a Mars Odyssey, dos EUA, chegou ao planeta vermelho e ainda ajudou os europeus a alcançarem Marte dois anos depois.

 Sucessos e fracassos em 2003

O ano de 2003 foi marcante para a história da exploração marciana. No Natal, a Agência Espacial Europeia levou a Mars Express para a órbita do planeta, equipamento que envia informações até hoje. Mas a sonda enviada junto para pousar no planeta, a Beagle 2, foi declarada perdida no ano seguinte.

"A Beagle chegou a Marte, mas foi na descida que o problema aconteceu. A descida é sempre a fase mais difícil”, contou o astrônomo que liderou a missão, Colin Pilllinger, à BBC esta semana.

Também em 2003, o Japão chegou a enviar uma sonda para Marte, que – adivinhe – fracassou. Mas os EUA foram bem sucedidos no envio dos robôs de exploração Spirit e Opportunity. Ambos operaram além do previso, mas o primeiro atolou nas areias do planeta vermelho em 2010. Ambas as sondas descobriram sinais de que a água teria se misturado às rochas de Marte no passado.

Em 2005, a Nasa lançou a Mars Reconnaissance Orbiter, que já enviou mais de 26 terabites de informação e, em 2007, a Phoenix Mars Lander, responsável por mais 25 gigabites de informação sobre o planeta vermelho.

No último dia 8, a Rússia lançou a Phobos-Grunt, sonda que deveria cumprir uma missão de 34 meses na lua marciana, mas uma falha ainda não esclarecida fez com que a sonda ficasse na órbita terrestre, em vez de seguir rumo ao satélite do planeta.

A Roscosmos (agência espacial russa) declarou que ainda respera reanimar a Phobos-Grunt e colocá-la rumo a seu destino original. O projeto foi avaliado em 5 bilhões de rublos (US$ 170 milhões).

Curiosity

Se a maldição não voltar a atacar, a Nasa irá celebrar o sucesso da missão Mars Science Laboratory, iniciada no sábado, a maior e mais complexa já enviada ao planeta.

O jipe-robô Curiosity. Movido a energia nuclear e do tamanho de um carro, o equipamento vai tentar descobrir se o planeta já foi adequado para a vida - a estratégia é buscar sinais de substâncias orgânicas.

Ele trabalhará em um local particularmente "sedutor" do planeta, a cratera Gale, com 154 quilômetros de diâmetro. Dentro dela há uma montanha com depósitos em camadas, erguendo-se a 4.800 metros - o dobro da altura das camadas que formam o Grand Canyon, nos EUA.

* Com informações da Reuters e da Efe

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