"Se descobrirmos vida extraterrestre, deveremos avisar à Casa Branca", diz astrônomo

Bruno Aragaki

Do UOL, no Rio de Janeiro

  • Mike Bolte / Divulgação

    Segundo Geoffrey Marcy, a busca de vida inteligente extraterrestre se dá por "vestígios" de civilizações

    Segundo Geoffrey Marcy, a busca de vida inteligente extraterrestre se dá por "vestígios" de civilizações

Na imprensa norte-americana, o nome do professor Geoffrey Marcy, 57, geralmente não vem  acompanhado do título "astrônomo", mas de "planet hunter" (caçador de planetas), apelido que ganhou ao identificar a maioria dos 250 astros que giram ao redor de estrelas conhecidos atualmente.

No ano passado, Marcy anunciou que passaria a dedicar-se aos estudos de "Seti" (Search for Extraterrestrial Intelligence, Busca de Vida Extraterrestre Inteligente, em inglês) da Universidade de Berkeley, na Califórnia. Se sinais de vida extraterrestre forem encontrados, disse ao UOL por e-mail, "teremos de avisar à Casa Branca". Leia os principais trechos da entrevista:

UOL– É possível dizer quão perto estamos de ter resultados concretos nas buscas por vida inteligente fora da Terra?

Marcy - Nós, os astrônomos, não temos ideia de quando receberemos o primeiro contato de civilização inteligente. Se tivermos sorte, pode ser no próximo mês ou ano. Também pode demorar um século, ou talvez nunca recebamos qualquer sinal de vida inteligente, o que poderá nos levar a crer que, de fato, estamos sozinhos... ou simplesmente que eles não querem falar conosco!

UOL– Então a Humanidade não fez nenhum progresso nessa busca?

Marcy - Fizemos, sim. Ao estudar a vida na Terra, aprendemos que a vida pode tolerar situações ambientais extremas, como temperaturas altíssimas ou alta acidez. Isso quer dizer que a vida, em qualquer lugar, pode existir em condições severas. E mais importante, aprendemos que a vida se beneficia de água em estado líquido. Para encontrar vida em qualquer lugar, devemos começar procurando água.

UOL –Você conhece iniciativas de busca de vida alienígena conduzidas por outros países, além dos Estados Unidos? Sabe de algo no Brasil?

Marcy – Eu não conheço nenhum programa de Seti em outros países. Não sei por quê!

UOL– Como você explicaria a uma criança como é o rabalho de busca de vida inteligente fora da Terra?

Marcy – É como uma caça ao tesouro, em que o tesouro é algum tipo de sinal de alienígenas, alguma comunicação ou evidência de que eles existam. Mas nós não sabemos que tipo de sinal eles podem mandar. Poderiam ser ondas de rádio, raios infravermelhos, um monumento na Lua ou uma máquina deixada em um buraco na Terra se um dia eles estiveram por aqui. Procurar vida inteligente é difícil também porque eles podem ter uma tecnologia completamente diferente e mais avançada do que a nossa.

UOLSe vocês encontrarem sinais de inteligência extraterrestre, quais seriam os próximos passos?

Marcy  - Precisaremos, primeiro, verificar a descoberta com outros cientistas. Eles usarão suas próprias ferramentas científicas, como telescópios ou detector de luzes, para tentar confirmar ou rejeitar nossa descoberta. Se eles confirmarem, então deveremos avisar à Casa Branca, para saber como proceder. O melhor seria que o mundo inteiro fosse alertado da descoberta. Todo mundo deveria saber.

UOL – Sinais encontrados signifcariam que os possíveis extraterrestres querem falar conosco?

Marcy – Os sinais podem ter sido gerados sem essa intenção. Por exemplo, eles poderiam estar enviando ondas de rádio para amigos, e nós interceptarmos essa conversa. Ou pode ser que eles usem tanta energia em máquinas que nós consigamos identificar o calor gerado. Então pode ser que nós os encontremos sem que eles tenham a intenção de ser detectados.

UOL O que você aconselharia para alguém que quer ser um pesquisador de vida inteligente em outros planetas?

Marcy – Aconselharia estudar química, biologia, informática e física. E aconselharia a tentar criar experimentos que ninguém pensou antes para detectar sinais. Precisamos ser criativos para pensar em maneiras de detectar uma civilização que pode ser completamente diferente da nossa.

UOL – Existe preconceito entre a comunidade científica com relação aos pesquisadores de vida extraterrestre?

Marcy – Sim, um pouco. Mas agora, todo mundo percebeu que planetas habitáveis são provavelmente comuns de existirem. Então a busca por vida inteligente extraterrestre é o próximo passo lógico da ciência.

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