Primatas têm senso de justiça 'humano' para dividir recompensas, avalia estudo

Do UOL, em São Paulo

  • Brad Wilson/The Doinel Gallery

    Chimpanzés mostraram comportamento tipicamente "humano" durante experimento com o Jogo do Ultimato

    Chimpanzés mostraram comportamento tipicamente "humano" durante experimento com o Jogo do Ultimato

Grupo da Universidade Emory, nos Estados Unidos, identificou um senso de justiça tipicamente humano nos chimpanzés. Os primatas mostraram-se sensíveis à distribuição de recompensas quando um precisava do apoio do outro durante um jogo.

A descoberta do Centro Nacional Yerkes de Pesquisas de Primatas da Universidade sugere uma "história evolutiva da aversão à desigualdade" assim como uma preferência compartilhada de justiça ao ancestral comum de humanos e macacos, destaca o estudo publicado na Pnas (Proceedings of the National Academy of Sciences).

Macaco-prego se revolta com recompensa diferente

  • Assista ao vídeo com a reação do primata

Para o experimento, os cientistas observaram as reações de seis chimpanzés adultos (Pan troglodytes) e 20 crianças (entre dois e sete anos) durante o clássico Jogo do Ultimato.

Segundo as regras, um indivíduo recebe uma quantia de dinheiro que tem de ser dividida com outra pessoa , que só pode responder sim ou não, sem negociar o acordo. Se ela não aceitar a oferta, nenhum dos dois leva o dinheiro, mas se concordar com o trato, o valor é repartido – não há troca de papeis, e os participantes não podem jogar outra rodada.

"Nós usamos o jogo do ultimato, pois é um padrão para determinar o sentido humano da justiça. As pessoas costumam oferecer porções generosas aos seus parceiros anônimos, como 50% da recompensa; e foi exatamente isso o que nós testemunhamos em nosso estudo com chimpanzés", explica o autor principal do experimento, Darby Proctor.

Mas, no lugar de dinheiro, foram oferecidas duas fichas coloridas que eram trocadas por recompensas para cada grupo (comida aos macacos e adesivos aos pequenos): uma cor dava recompensas iguais para os dois jogadores e a outra favorecia apenas o dono das fichas. O estudo verificou que tanto primatas quanto crianças pegavam a ficha da divisão quando precisavam da cooperação do parceiro. No entanto, quando o outro lado não podia vetar, eles ficavam com a escolha egoísta.

"Até o nosso estudo, presumia-se que o Jogo do Ultimato não poderia ser feito com animais, ou até que eles sempre escolheriam a opção egoísta", destaca Frans de Waalm, coautor da pesquisa. "Mas concluímos que os chimpanzés não só têm respostas muito próximas do senso humano de justiça, quanto os animais têm as mesmas preferências que a nossa espécie."
 

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