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Rocha de 3.000 km2 está 'presa' a Urano pelos próximos 700 mil anos

Science/Alexandersen et al. 2013
Astrônomos canadenses identificaram o troiano 2011 QF99 (circulado em verde) 'preso' à órbita de Urano por acaso, enquanto o grupo pesquisava imagens do Sistema Solar feitas nos dois últimos anos Imagem: Science/Alexandersen et al. 2013

Do UOL, em São Paulo

02/09/2013 06h00

A intenção era outra, mas astrônomos da Universidade de British Columbia, no Canadá, acabaram descobrindo que o planeta Urano ganhou a companhia de um objeto rochoso e gelado semelhante a um asteroide durante toda sua trajetória em torno do Sol. 

Objetos rochosos como o encontrado pelo grupo canadense costumam receber o nome de troianos, pois trafegam "presos" à órbita de um planeta, aparentando estar imóveis.

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Eles estão sempre juntos, como se um estivesse perseguindo o outro, por conta da ação da gravidade do Sol em conjunto com a do planeta. Juntas, elas mantém o troiano "preso" a um determinado ponto do astro.

Batizado de 2011 QF99, ele tem 3.000 quilômetros quadrados e é o primeiro a ser identificado próximo à órbita de Urano, o terceiro maior planeta do Sistema Solar. Astrônomos já tinham encontrados troianos nas órbitas de outros planetas, como Terra, Marte, Júpiter e Netuno.

Segundo o astronônomo Mike Alexandersen, que chefiou a pesquisa publicada na última edição da revista Science, a descoberta aconteceu por acidente: ela teria ocorrido quando a equipe pesquisava imagens do Sistema Solar captadas entre 2011 e 2012.

Durante a observação, os astrônomos se surpreenderam ao identificar o troiano de Urano, que se movia no campo de visão do telescópio mais velozmente do que outros corpos que trafegam pelo espaço, indicando que estaria mais próximo da Terra e totalmente em sincronia com a órbita do planeta.

700 mil anos

Mas apesar de haver troianos "afixados" aos outros planetas há bilhões de anos, os astrônomos dizem não acreditar que a companhia do 2011 QF99 para Urano vá durar eternamente.

"É como se os planetas estivessem jogando futebol com esse troiano. Eventualmente eles perderão o controle sobre ele", disse o astrônomo David Jewitt, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, ao comentar o estudo a um jornal.

A equipe canadense aponta que uma simulação feita por computador estima que o troiano deve se "desprender" da órbita de Urano em até 700 mil anos, mas sem oferecer riscos ao nosso planeta.

Quando isso ocorrer, o 2011 QF99 deixará de trafegar em sincronia com o planeta, que leva 84 anos para completar uma volta no Sol, e perderá o título de troiano.