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Estudo em macacos descobre como ilusão de ótica se forma no cérebro

Do UOL, em São Paulo

2013-10-02T08:00:00

02/10/2013 08h00

Se você já viu algumas figuras se mexendo ou aumentando de tamanho só de encarar o desenho, você acabou de experimentar uma ilusão de ótica, uma peça pregada pelo cérebro por "criar" formas com os contornos da mesma imagem. Explicar essa "pegadinha" foi o objetivo de um grupo de cientistas da Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos.

Destaque da revista da Academia de Ciências dos Estados Unidos, a PNAS, o estudo feito em macacos identificou um grupo de neurônios localizados no córtex visual que se tornam mais ativos quando os animais veem uma imagem que gera ilusão de ótica. O córtex visual é responsável pelo processamento de informações visuais para mamíferos.

Cientistas costumam dividir essa área do cérebro em cinco regiões, usando uma nomenclatura que abrange de V1 a V5. Os sinais visuais chegam dos olhos pela área V1, que detecta suas orientação, cor e disposição espacial. Daí, essa informação é dividida em duas vias, direcionadas à área V2, que faz correções as necessárias e as repassa para a V3.

A primeira dessas vias é chamada de caminho do "aonde" e se conecta à V5 para detectar movimento e localização de objetos. A segunda via foi apelidada de caminho do "o quê" e se conecta à área V4 para reconhecer o desenho de objetos - a suspeita dos pesquisadores era que as ilusões se forma nesse ponto.

Alucinação sem drogas

Para confirmar isso, os pesquisadores treinaram macacos para que observassem uma imagem chamada Quadrado de Kanisza, composta por quatro círculos com 1/4 da parte faltando, dando a impressão de desenhar um quadrado no centro da figura.

Quadrado de Kanisza

Ao medir a atividade cerebral dos macacos enquanto viam a imagem, os cientistas confirmaram que os neurônios ligados à área V4 eram ativados quando o quadrado parecia formado.

Ao trocar os círculos de posição, girando a parte ausente para o lado de fora, o suposto quadrado deixa de existir e a atividade neuronal dos símios diminui, provando a ligação entre a região V4 e as ilusões de ótica.

"É um efeito semelhante à alucinação, mas sem uso de drogas para provocá-la", define o cientista Alexander Maier, que participou do estudo.

"Basicamente, o cérebro está atuando como um detetive, respondendo a pistas localizadas na imagem e fazendo sua melhor dedução de como elas se encaixam. Porém, ele chega a uma conclusão incorreta no caso das ilusões mostradas aos macacos."

O estudo informa ainda que não são apenas macacos e humanos que veem ilusões de ótica. Outros animais, como gatos, corujas, abelhas e até peixinhos dourados também o fazem. Cientistas acreditam que esse mecanismo tenha razões evolutivas, ao ajudar os animais a identificarem predadores e presas.

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