Clique Ciência: Susto cura soluço? O que funciona?

Do UOL, em São Paulo

Pode parecer história de desenho animado, mas levar um baita susto pode sim curar soluço. Quando tomamos um susto legítimo (destes totalmente inesperados), o corpo reage inspirando muito ar de uma vez só, alongando os músculos responsáveis pelos soluços. Isso pode provocar um contraestímulo para que eles parem de se contrair involuntariamente.

Os músculos causadores de soluços são o diafragma, que fica entre o abdome e o tórax, e os intercostais, localizados entre as costelas. Quando começam a se contrair involuntariamente, eles puxam os pulmões para baixo, fazendo com que eles suguem o ar de fora. Em um reflexo rápido, a glote (uma passagem na laringe) fecha-se, gerando aquele barulhinho comum de quem soluça: huc!

Causas

Existem várias causas para uma crise de soluço começar. As mais comuns têm a ver com o ato de respirar de um jeito errado. Aquela expressão "chorar até soluçar" é um bom exemplo do que normalmente acontece: uma pessoa que chora sem parar por vários minutos usa muito o diafragma. O músculo é estimulado demais e começa a se contrair involuntariamente.

Voltando à cena do desenho animado: lembra do (nada politicamente correto) ratinho que caiu dentro de uma garrafa de tequila e ficou soluçando? Isso acontece de verdade. A bebida alcoólica é reconhecida pela medicina como causadora de soluços. O álcool, quando ingerido, pode irritar um nervo que está conectado ao diafragma. Então, o músculo recebe um estímulo nervoso para começar a se contrair.

Outras causas do soluço têm a ver com mudanças súbitas de temperatura (beber um líquido gelado depois de comer algo quente), intoxicações por substâncias (o álcool é só uma delas), doenças da caixa toráxica ou do tubo digestivo (como refluxo), estresse e ansiedade, problemas neurológicos ou psiquiátricos, e ainda há as crises idiopáticas - em que os médicos não conseguem identificar como elas começaram.

Tratamentos para o soluço

Não existe uma cartilha da medicina que indique um procedimento padrão para o tratamento de crises de soluços. Mas os médicos sabem que várias receitinhas populares são eficazes.

Além de sofrer um susto, beber água rapidamente, chupar limão, prender a respiração por alguns segundos, chupar gelo, usar o cabo de uma colher para levantar a úvula (a campainha da garganta) e até induzir vômito podem ajudar a parar uma crise.

Algumas dessas manobras atuam no nervo que estimula o diafragma (e que passa perto do esôfago) - como chupar limão -, e outras mexem diretamente com a musculatura - prender a respiração é uma delas.

É possível tentar todas essas manobras gradualmente, até o soluço passar. Também dá para combinar algumas manobras, como tapar o nariz com a mão e beber água ao mesmo tempo. Só não vale destapar o nariz logo depois do primeiro soluço: é preciso esperar alguns segundos para fazer a crise passar.

Se, depois de repetir as manobras, o soluço ainda não passou e está te incomodando, procure um médico. Ele poderá receitar medicamentos para o tratamento de enjoos ou outros remédios que podem ajudar a parar a crise.

Os três tipos de crises de soluço

Geralmente, uma pessoa soluça de 4 a 60 vezes por minuto - a frequência varia de pessoa para pessoa. As crises mais comuns costumam ter curta duração: ocorrem por apenas alguns minutos ou chegam a persistir por até dois dias.

Quando alguém está soluçando há mais de dois dias, a crise entra para o segundo grupo, o de soluços persistentes. Nesses casos, o recomendável é procurar um médico. E o terceiro grupo de crise, muito raro, é o dos soluços "intratáveis": duram mais de um mês.

Crises que duram mais de dois dias podem causar consequências para a saúde: desde problemas de nutrição (por não conseguir comer) e distúrbios de sono até inflamações no esôfago - causando doença do refluxo - e arritmias cardíacas.

Se uma pessoa já está há mais de dois dias passando por várias crises de soluço com pouco tempo de intervalo entre elas, os médicos contabilizam como uma crise só, com períodos de acalmia. É recomendável procurar atendimento.

O médico poderá solicitar uma série de exames e, a partir daí, indicar um medicamento mais adequado ao problema. Não existe um remédio que serve apenas para o tratamento do soluço: fórmulas usadas para tratar epilepsia, esquizofrenia, dor crônica, doenças neurológicas e até anestésicos podem ser indicadas pelo profissional. Mas tenha calma. Soluços são benignos na grande maioria das vezes e costumam sumir da mesma maneira como surgiram: de repente.

Consultoria: Roberto José Carvalho Filho, professor de Gastroenterologia da Escola Paulista de Medicina da Unifesp.

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