Topo

Clique Ciência: qual o ser vivo mais resistente do mundo?

2014-05-14T06:00:00

14/05/2014 06h00

Você provavelmente já ouviu falar que a barata é um animal tão resistente que é capaz de sobreviver até a um ataque nuclear. Pois esclareça esse mito de uma vez por todas: a criatura repugnante pode teimar em morrer quando você a golpeia com o chinelo, mas ela sucumbiria à bomba atômica, assim como nós.

“As baratas não são resistentes à radiação e não sobreviveriam ao impacto da explosão. Por estarem em galerias subterrâneas não sofreriam os efeitos imediatos, porém, ao subirem à superfície, sofreriam, sim, os efeitos da exposição”, garante Marcos Roberto Potenza, diretor do centro de pesquisa e desenvolvimento de proteção ambiental do Instituto Biológico de São Paulo.

Não se sabe ao certo a origem do mito das baratas e sua resistência à radioatividade, mas parece que o boato surgiu após as bombas de Hiroshima e Nagasaki, no Japão.

Se esses insetos cascudos não seriam os únicos sobreviventes após uma guerra nuclear, será que algum outro organismo seria? É difícil determinar qual o animal mais resistente do mundo, já que para isso são necessárias pesquisas em quantidade proporcional ao número de criaturas existentes na face da Terra.

Mas alguns desses estudos foram feitos, e há candidatos que podem muito bem liderar a lista, enquanto outras pesquisas não são feitas. A primeira dica sobre eles é que, assim como as baratas, eles são pequenos. Na verdade, bem menores que os insetos – afinal, se animal grande fosse mais resistente, os dinossauros não teriam sido extintos, né?

E o troféu vai para...

O campeão da lista é a bactéria Deinococcus radiodurans. Segundo estudo publicado na revista Science, em 2009, ela é capaz de aguentar até 1,5 milhão de rads (sigla, em inglês, para “dose absorvida de radiação”). Ou seja, ela é três mil vezes mais resistente que o ser humano.

A vantagem da Deinococcus é que seu DNA fica protegido por uma espécie de anel – tanto que os pesquisadores do departamento de química orgânica do Instituto Weizmann apelidaram o micro-organismo carinhosamente de “Senhor dos Anéis”. A radiação tem o poder de destruir o genoma em pedaços, e o formato circular os manteria unidos, facilitando o reparo.

Enquanto outros micróbios conseguem recuperar até cinco quebras de DNA, a Deinococcus repara mais de duzentos. Nada mal, não é? Além disso, a bactéria ainda é capaz de sobreviver à desidratação e a altas temperaturas, fatores essenciais para ganhar a fama de “super-resistente”, segundo especialistas.

Para fugir do plano de bactérias e vírus, reconhecidamente teimosos em sobreviver, há uma outra criatura capaz de ser premiada com a medalha de prata: o tardígrado, um invertebrado de aparência tão estranha quanto seu nome.

Com menos de um milímetro e meio de comprimento, esses organismos permanecem quietinhos quando desidratados, sobrevivendo a longos períodos de seca, e voltam à ativa quando o ambiente se torna mais propício. Nesse período, o açúcar faz o papel da água, em um processo conhecido como anidrobiose.

Essa característica levou os pesquisadores a submeterem os tardígrados a uma prova ainda mais difícil: sobreviver ao espaço.

Em 2007, uma equipe liderada pelo cientista Ingemar Jönsson, da Universidade de Kristianstad, na Suécia, colocou esses invertebrados para viajar em uma cápsula da Agência Espacial Europeia. Certas amostras foram deixadas “peladas”, em órbita, sob níveis de radiação ultravioleta mil vezes maiores que a da Terra.

Depois que as amostras foram coletadas com a queda da cápsula no Cazaquistão, os pesquisadores ficaram impressionados: três tardígrados sobreviveram, apesar de terem perdido a capacidade de se reproduzir. Já os organismos que foram submetidos somente ao vácuo não só permaneceram vivos, como geraram semelhantes.

Mais Ciência e Saúde