Estudo dá esperança a pacientes que sofrem com queda de cabelo

Do UOL, em São Paulo

  • Julian Mackay-Wiggan/Live Science/Reprodução

    Tratamento reverteu queda de cabelo em pacientes com doença autoimune

    Tratamento reverteu queda de cabelo em pacientes com doença autoimune

Certas doenças são capazes de causar queda constante de cabelo, como a Alopecia areata, uma doença autoimune que causa perda capilar em áreas arredondadas do corpo, inclusive no couro cabeludo. A doença afeta 2% da população mundial e cerca de 6,5 milhões de pessoas somente nos Estados Unidos, de acordo com a Fundação Nacional de Alopecia areata. Atualmente, não há tratamento aprovado capaz de reverter esse processo, que é altamente imprevisível, ou seja, o cabelo dos pacientes pode crescer e voltar a cair a qualquer momento.

Uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Columbia, em Nova York (EUA), traz esperança para quem sofre com a doença. Estudos feitos em camundongos e testes realizados em humanos pela equipe norte-americana mostraram que administrar uma droga chamada ruxolitinib pode reverter o problema. Além disso, os pesquisadores afirmam ter elucidado a real causa da queda dos pelos e cabelo, apontando qual é o mecanismo celular responsável pelo problema, até então um enigma para a comunidade científica.  

A substância ruxolitinib é aprovada pelo FDA (Food and Drug Administration), órgão de regulação sanitária dos Estados Unidos (equivalente à Anvisa no Brasil), para o tratamento de mielofibrose, um distúrbio grave na medula óssea. 

Segundo os pesquisadores, a queda do pelo (ou cabelo) ocorre quando um conjunto de células do sistema imunológico ataca a base do crescimento dos cabelos, os folículos capilares. Essas células recebem "instruções" para atacar os folículos, o que leva à queda dos cabelos e pelos. Os cientistas identificaram que as células que enviam essas "instruções" podem ser atingidas pelas drogas chamadas inibidoras de JAK.

Antes de avaliar a teoria em humanos, eles fizeram testes em camundongos usando dos inibidores de JAK, ruxolitinib e tofacitinib. Os ratos apresentavam extensa queda de pelos por causa da doença. Após 12 semanas de tratamento com as substâncias, os animais tiveram os pelos completamente restaurados e permaneceram assim por vários meses após o fim da administração das drogas. Os pesquisadores descobriram que as substâncias interromperam o ataque das células T (do sistema imunológico) aos folículos capilares.

Após o teste em camundongos, a ruxolitinib foi administrada em três pacientes com Alopecia areata durante cinco meses. Eles ingeriram a substância diariamente e após o período do teste, o couro cabeludo estava completamente restaurado.

"Estudos clínicos adicionais são necessários para testar a efetividade da droga. No entanto, para pacientes com Alopecia areata, este é um resultado excelente porque oferece uma nova classe potencial de medicamentos que ainda não foram testados para essa doença, com alguns resultados iniciais promissores", afirma a autora do estudo, Angela M. Christiano, professora de dermatologia e genética do Centro Médico da Universidade de Columbia, em Nova York.


 

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