Suco de limão pode ajudar ESA a construir foguetes de maneira sustentável

Do UOL, em São Paulo

  • Getty Images

    Acido cítrico pode ser opção "verde" para preparação do aço inoxidável das aeronaves

    Acido cítrico pode ser opção "verde" para preparação do aço inoxidável das aeronaves

Pesquisadores da ESA (Agência Espacial Europeia) estão pesquisando as propriedades do ácido cítrico, encontrado no suco de limão, na preparação de aço inoxidável, material de extrema importância na fabricação de satélites e foguetes. Com a substância, eles querem desenvolver um método alternativo e ambientalmente sustentável para preparar o metal.

Antes de serem colocadas em uso, as peças feitas com aço inoxidável devem ser primeiro "passivadas", ou seja, é preciso retirar sua camada superficial para remover quaisquer imperfeições ou contaminação que sobraram do processo de usinagem, que poderiam resultar em ferrugem.

Tradicionalmente, elas são banhadas em ácido nítrico, em uma etapa do processo que tem desvantagens ambientais e de segurança. O tratamento produz óxidos de nitrogênio, gases de efeito estufa e é potencialmente prejudicial aos trabalhadores.

Recentemente, o ácido cítrico tem sido visto pelos cientistas como uma alternativa verde para substituir o ácido nítrico. Para isso, um novo estudo realizado por iniciativa do projeto Espaço Limpo da ESA tem o objetivo de descobrir como essa substância poderia reduzir o impacto ambiental da indústria espacial, seja na Terra ou no espaço.

O estudo com o suco de limão envolverá ligas de aço inoxidável passivantes e componentes normalmente utilizados no setor espacial, avaliando seu processo de fabricação para, em seguida, submetê-los a uma gama de testes ambientais -- incluindo corrosão sob tensão, teste de corrosão atmosférica e de laboratório, testes de aderência e fadiga mecânica -- juntamente com uma análise metalúrgica completa. De acordo com os cientistas, é possível que em breve os foguetes que vão a Marte ou Saturno tenham passado por um "banho de limão".

Wikimedia Commons/David Morris
Em 2013, Harry Brearley descobriu o aço inoxidável, a partir uma pilha de ligas de aço

Descoberta do aço inoxidável

Em 1913, o metalúrgico Harry Brearley observou uma pilha de ligas de aço experimentais, rejeitadas por não serem fortes o suficiente. Ele notou uma delas brilhava tão forte como se fosse nova, o que contrastava com a ferrugem de todo o resto do material. Brearley tinha acabado de descobrir aço inoxidável.

Adição de cromo ao aço na proporção correta o impede de ficar escuro. Em vez de formar o óxido de ferro em reação ao ar e à água, o aço inoxidável constrói uma camada invisível e protetora de óxido de crómio.

Há um pouco mais de um século após sua descoberta, o aço inoxidável é largamente usado para fabricar desde talheres a espaçonaves – assim como foguetes e satélites. Nessa área, o aço inoxidável é comumente utilizado no armazenamento e manuseio de propulsores e resíduos, componentes de sistemas de proteção térmica e fixadores como parafusos de alta resistência.

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