Cinco razões que fazem da missão Rosetta um marco da exploração espacial

Do UOL, em São Paulo

  • ESA/ATG medialab

    Ilustração da Agência Espacial Europeia mostra o pouso do robô Philae no cometa 67P

    Ilustração da Agência Espacial Europeia mostra o pouso do robô Philae no cometa 67P

A Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) fez história nesta quarta-feira (12) ao pousar um robô do tamanho de uma máquina de lavar em um cometa que se movimenta pelo sistema solar a uma velocidade acima de 66 mil quilômetros por hora. O feito foi realizado pela missão Rosetta, que desprendeu o robô Philae em uma jornada de sete horas até aterrissar sobre o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko.


A dificuldade de pousar em um cometa

É a primeira vez que uma agência espacial tentou realizar uma operação desse tipo. A Nasa (agência espacial americana) lançou uma sonda em um asteroide em 2001, mas cometas são corpos celestes mais voláteis. Um cometa possui atração gravitacional muito fraca e está continuamente expelindo vapores e poeira que podem danificar uma aeronave. Tanto a sonda Rosetta quanto o robô Philae foram desenhados para fazer a operação de aterrissagem de maneira autônoma. Ou seja, assim que os cientistas do controle de terra da ESA dessem o sinal de "partir", o processo seria iniciado sem chance de volta.

A distância entre a Terra e o cometa 67P

A manobra aconteceu a mais de 500 milhões de quilômetros de distância da Terra. A sonda Rosetta viajou 6 bilhões de quilômetros, dando cinco voltas em torno do Sol até "alcançar" o cometa 67P. A viagem foi iniciada há dez anos.

Como acertar o alvo em cheio

O cometa 67P possui um formato irregular que lembra um pouco um patinho de borracha. Na superfície bem esburacada, os cientistas tiveram de escolher a melhor área para realizar o pouso: um espaço de um quilômetro quadrado batizado de Agilkia. Considerando que o cometa está em movimento e expelindo material o tempo todo, o robô Philae foi capaz de pousar quase no alvo. O único problema foi que o equipamento "quicou" antes de aterrissar.

O segredo da vida pode estar nos cometas

Os cientistas apontam os cometas do nosso sistema solar como "cápsulas do tempo" que carregam materiais datados do começo do universo. Os cientistas da missão Rosetta esperam que o robô Philae possa coletar material para ajudar a confirmar a tese de que os cometas foram fundamentais para o surgimento da vida na Terra. Como são blocos de matéria orgânica e água que contêm aminoácidos, moléculas fundamentais na estrutura das células, descobrir sua composição exata será importante para afirmar que a vida na Terra pode ter vindo mesmo do espaço.

Os desafios da missão Rosetta

O cometa 67P está uma uma órbita elíptica de seis anos e meio ao redor do Sol. Neste momento, está se aproximando da estrela, o que permitirá aos pesquisadores observar mudanças à medida que se torna mais ativo. Quanto mais próximo do Sol, maior a quantidade de matéria que o cometa vai desprender em sua jornada  --o que significa um risco maior para a Rosetta. As temperaturas também vão subir. Mas, se tudo der certo, o robô Philae continuará "grudado" ao cometa mesmo depois de parar de funcionar, o que está estimado para acontecer dentro de dois anos. Os cientistas da ESA acham que, antes de se desligar para sempre, o melhor seria que a sonda também pousasse sobre o cometa para se reunir com o robô mais uma vez.
 

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos