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Robô da Nasa encontra evidências de água em Marte

JPL-Caltech/MSSS/Nasa
Imagens feitas pelo robô Curiosity no monte Sharp, em Marte Imagem: JPL-Caltech/MSSS/Nasa

Do UOL, em São Paulo

08/12/2014 20h07

Há bilhões de anos, um lago fazia parte da cratera Gale, em Marte, que está sendo explorada pelo robô Curiosity, da Nasa (agência espacial americana). A descoberta reforça a evidência de que o planeta mais parecido com a Terra no sistema solar já foi adequado para a vida microbiana.

A descoberta, divulgada pela Nasa, foi feita com base em dados coletados pelo robô durante dois anos, desde o seu desembarque na cratera Gale em agosto de 2012.

Os cientistas descobriram que uma pilha de rochas e sedimentos cobriram o lago e deram origem ao monte Sharp. Sendo assim, segundo os pesquisadores, a região só passou a existir há cerca de 3,5 bilhões de anos, quando a cratera foi preenchida por sedimentos.

“Encontrar estratos inclinados no local foi uma surpresa completa. A geologia sedimentar é uma vanguarda para tentar entender a Terra. Quando as companhias de petróleo coletam pesquisas sísmicas em todo lugares, eles buscam estratos inclinados, pois é possível descobrir de onde são essas rochas”, explica o cientista John Grotzinger, do Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena.

Logo após o pouso, o Curiosity descobriu que Marte já teve os ingredientes químicos e as condições ambientais necessárias para suportar a vida microbiana, cumprindo o principal objetivo de sua missão.

O robô então foi em direção ao monte da Sharp para procurar outros nichos habitáveis e saber se os ambientes favoráveis à vida realmente existiram por tempo suficiente para que a vida pudesse evoluir no planeta. A questão é complicada, pois os cientistas não sabem definir quanto tempo levou para que a vida se formasse e evoluísse na Terra.

"O tamanho do lago na cratera Gale e o período de tempo e a quantidade de água que ficava no local sugerem que pode ter havido tempo suficiente para que a vida no planeta vermelho tenha surgido e prosperado", afirmou o cientista da Nasa, Michael Meyer.

Os novos estudos, que ainda não foram publicados, apontaram para uma série de períodos secos e com água na cratera Gale, desafiando a noção de que o período de clima quente de Marte tenha tido curta duração, disseram os cientistas.

"O caminho do robô Curiosity não nos leva só ao monte Sharp, mas nos dá o contexto para apreciar esse local”, acredita Grotzinger.

O robô Curiosity, que percorreu cerca de oito quilômetros desde seu pouso em Marte, também já encontrou pistas sobre a formação do planeta durante sua primeira perfuração.

O Curiosity faz parte da missão Mars Science Laboratory, que custou à Nasa US$ 2,5 bilhões, e mandou o robô pousar no planeta vermelho em agosto de 2012 com o objetivo de explorar o terreno e buscar vestígios que permitam averiguar se houve vida em Marte.