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Clique Ciência: por que ficamos roxos depois de uma pancada?

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Imagem: Divulgação

Tatiana Pronin

Do UOL, em São Paulo (SP)

2015-07-21T15:26:24

21/07/2015 15h26

Em geral, ficamos com marcas roxas, ou hematomas, depois de sofrer algum tipo de trauma, como uma pancada, que faz alguns vasos se romperem e o sangue vazar para o tecido mole que existe embaixo da pele. Isso também é comum após a coleta de sangue, quando um pouco do líquido sai para fora pelo pequeno furo feito pela agulha na veia. 

Mas por que a mancha fica roxa, se o sangue é vermelho? De fato, a hemoglobina é uma proteína que confere essa cor ao sangue. Enquanto corre em direção aos órgãos, cheio de oxigênio para alimentá-los, o sangue é vermelho vivo. Já quando volta, sem o alimento vital, ele fica mais escuro. É por isso que as veias do seu pulso parecem azuladas.

Quem é desastrado e está sempre esbarrando pelos móveis da casa sabe que um hematoma pode ser um verdadeiro arco-íris. Inicialmente a mancha fica vermelha e, logo depois, roxa (podendo ser chamada também de equimose). Depois de alguns dias ou semanas, conforme o organismo consegue ir reabsorvendo o sangue que ficou parado ali, o hematoma ganha um tom amarelado e esverdeado até sumir. Dependendo do tamanho e do local da lesão, o roxo também pode descer, com a ação da gravidade.

Além da típica mudança de cor na pele, os hematomas costumam provocar dor. É que, quando as células vermelhas do sangue são liberadas na lesão, emitem um sinal para o corpo enviar células brancas para o local, que são como paramédicos e geram substâncias que provocam inflamação.

Idosos e crianças são mais propensos a ter roxos porque têm vasos mais finos e delicados. Quem faz uso de medicamentos anticoagulantes também tem uma tendência maior a sangramentos, e por isso costuma ter mais hematomas.

Casais entusiasmados também podem adquirir hematomas com alguma frequência, especialmente no pescoço, o que costuma gerar constrangimento. E quando o trauma ocorre na região dos olhos, uma área bastante sensível e com a pele mais frouxa, o aspecto pode ficar bem desagradável.

"É preciso mencionar que isso não acontece só na pele; você pode ferir um osso, o fígado ou mesmo o cérebro. O mecanismo é o mesmo - um trauma faz o sangue vazar para o tecido de um desses órgãos, mas nesses casos o problema pode ser mais sério", explica o pediatra norte-americano Rob Lamberts. Dependendo do local onde estão, os hematomas ganham nomes específicos, como por exemplo "epidural" (entre o revestimento externo do cérebro e o crânio).

Quando se preocupar?

Todo mundo tem um ou outro hematoma subcutâneo de vez em quando. Em geral, aplicar gelo ou compressa fria logo após o trauma pode ajudar. Cremes ou pomadas específicos podem ser usados para acelerar um pouco o processo de reabsorção, mas só devem ser usados com orientação médica.

Já em caso de pancadas mais fortes, ou se o hematoma acompanhar febre ou mal-estar, vale a pena consultar um médico para checar se a lesão não atingiu algum órgão interno. Ou, pelo menos, pegar uma receita de remédio para aliviar a dor. É importante evitar a expor as marcas roxas ao sol, para minimizar o risco de manchas na pele.

Também é fundamental marcar uma consulta se os hematomas aparecerem com frequência e sem motivo aparente, como alerta a hematologista Christiane Gouvea, do Fleury Medicina e Saúde. "Os hematomas não relacionados a lesões, ou em locais em que não costumamos nos machucar, como as costas ou a barriga, podem indicar problemas de coagulação do sangue (doenças hemorrágicas como hemofilia ou problemas plaquetários)", explica a médica, referindo-se a alterações na quantidade de plaquetas (trombócitos) do sangue - células formadas na medula óssea - que podem ter como origem uma série de doenças.

"Nesses casos, a pessoa deve procurar um clínico geral ou um hematologista para fazer exames e investigar a causa dos hematomas. E nunca, em hipótese alguma, deve se automedicar, pois isso pode piorar o sangramento e gerar hemorragia em outros órgãos", completa a especialista. 

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