Clique Ciência: por que temos chulé?

Cintia Baio

Colaboração para o UOL

  • iStock

Não é apenas a falta de higiene nos pés que causa o chulé. O principal responsável pelo mau cheiro, conhecido entre os médicos como bromidose plantar, são os compostos químicos liberados pelas milhões de bactérias que vivem em nossa pele e que se alimentam do suor e células mortas.

Em um indivíduo normal, existem mais de 600 glândulas sudoríparas por centímetro quadrado em cada pé. Esses pequenos orifícios secretam uma "mistura"" de água, sais, vitaminas, proteínas e ureia (suor) que, junto com células mortas, é um prato cheio para a alimentação das bactérias que vivem na região.

Elas fermentam esses nutrientes e eliminam alguns compostos químicos, como o ácido isovalérico e metanotiol. Juntos, esses ácidos causam o chulé. E não é por coincidência que certos tipos de queijo têm praticamente o mesmo cheiro. Alguns desses ácidos também são liberados pelas bactérias que participam da composição do alimento.

Por causa do número muito grande de bactérias que vivem em nossos pés, é difícil dizer quais são as responsáveis por eliminar esses compostos químicos. Biólogos ingleses da Universidade de Loughborough mapearam a população desses microrganismos existentes em seus pés e concluíram que haviam cinco grupos de destaque, entre eles os estafilococos.

Eles também observaram que a presença dos estafilococos estavam sempre relacionadas ao ácido isovalérico, um dos responsáveis pelo odor característico do chulé. Esse tipo de bactéria é mais comum na sola do pé, principalmente entre os dedos, o que explicaria porque a região é uma das mais fedorentas.

Pés mais fedidos que outros

Agora, o que faz um indivíduo ter mais chulé do que outros depende de uma série de fatores. Quem usa sapato fechado o dia todo pode ter mais chances de ter odor nos pés, por exemplo.

Isso acontece porque o suor produzido pelo corpo para manter a temperatura da região tem dificuldades de evaporar, mantendo os pés úmidos e favorecendo a proliferação das bactérias.

Os adolescentes, principalmente os meninos, estão mais propensos ao chulé. Com os hormônios em alta, a transpiração aumenta. Com isso, cresce o número de bactérias na região. Essa alteração hormonal também pode acontecer em indivíduos mais velhos. Situações de estresse ou baixa imunidade também contribuem para o desequilíbrio da flora natural de bactérias de nosso corpo, que podem aumentar.

Mas também é preciso ficar de olho na higiene da região. Usar o mesmo calçado por dias seguidos, não lavar ou enxugar os pés corretamente e guardar os sapatos logo após o uso, sem ventilação, aumentam a chance de ter chulé.

Prevenção

Algumas medidas simples podem contribuir para evitar o mau odor nos pés:

1. Não use o mesmo calçado por dias seguidos. O ideal é revezar 2 ou 3 pares de calçados ao longo da semana.

2. Após o uso, deixe os sapatos em locais bem ventilados e, se possível, expostos ao sol por algumas horas.

3. Dê preferência a calçados mais leves e que permitam melhor ventilação dos pés.

4. Se tiver que usar sapatos fechados, usar com meias finas e de algodão. Caso a sudorese nos pés seja muito intensa ao longo do dia, é bom trocar as meias pelo menos uma vez no meio do dia.

5. No banho, lavar os pés com sabão antisséptico e secar bem os pés depois, principalmente entre os dedos. Secador de cabelo pode ajudar muito nesta etapa.

6. O uso de talcos antissépticos pode ser eficaz. O talco absorve a umidade e mantém os pés secos por mais tempo. Deve ser aplicado nas meias e nos pés, entre os dedos.

Especialistas consultados:  Paola Garambone, dermatologista graduada e pós-graduada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Leandra D' Orsi Metsavaht, diretora da Sociedade Brasileira de Dermatologia

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