Descoberto possível ancestral do "hobbit", hominídeo baixinho da Indonésia

Do UOL, em São Paulo

  • Kinez Riza

    Parte do maxilar fossilizado do Homo floresiensis

    Parte do maxilar fossilizado do Homo floresiensis

Resquícios fossilizados de hominídeos encontrados em Mata Menge, na ilha indonésia de Flores, podem levar ao fim a um antigo debate envolvendo o Homo floresiensis. Após estudarem o achado, os pesquisadores estão quase certos de que o Homo floresiensis é mesmo uma nova espécie, com uma grande jornada evolutiva.

O hominídeo encontrado na ilha possui aspectos semelhantes tanto ao Homo erectus quanto ao Homo habilis (o ancestral mais distante da nossa espécie, Homo sapiens).

As escavações na região localizaram os resquícios de uma mandíbula, de um pedaço de crânio e dentes pertencentes a pelo menos três hominídeos. A datação indica que eles viveram na região há cerca de 700 mil anos.

"Eu acredito que nós encontramos o ancestral direto do Homo floresiensis, que já era anão como ele", disse para o UOL Yousuke Kaifu, do Museu da Natureza e Ciência de Tóquio.

Os resultados da descoberta mais recente foram publicados na edição desta quarta-feira (8) da revista Nature. Os fósseis, localizados em 2014, são os primeiros resquícios de esqueleto encontrados em Flores fora da famosa caverna de Liang Bua, onde o Homo floresiensis foi encontrado pela primeira vez, em 2004. O estudo conta com a publicação de dois artigos: um com a descrição do hominídeo descoberto e outro com a idade do fóssil e o contexto em que viveu.

Kinez Riza
Reconstrução da face do Homo floresiensis

O Homo floresiensis é um hominídeo de cérebro pequeno -- cerca de 426 cm³ -- e baixa estatura -- até 1,06 m de altura. Devido ao pequeno porte, ficou conhecido como "hobbit" -- criatura criada por J. R. R. Tolkien, autor de "O Senhor dos Anéis". Era sabido que o Homo erectus, bem maior que o hominídeo descoberto na ilha de Flores -- com 860 cm³ de cérebro e 1,65 m de altura --, chegou até a região da Indonésia. Mas além de o Homo floresiensis ser bem menor que o Homo erectus, possuía características morfológicas parecidas com as dos nossos ancestrais mais antigos, como o Homo habilis - 614 m³ de cérebro e 1,18 m de altura.

O mistério dividia os paleontólogos. Um grupo argumentava que o "hobbit" era uma nova espécie, de corpo pequeno e cérebro reduzido, derivada do Homo erectus. Outro  grupo sustentava que tratava-se de hominídeo semelhante ao Homo habilis ou a ancestrais mais antigos. Havia também a hipótese de se tratar de um ser humano moderno que tinha adquirido um patologia que o deixou com nanismo. O maxilar encontrado é 20% menor que o do menor Homo floresiensis de Liang Bua. "A idade e morfologia se encaixam perfeitamente com a minha hipótese de que o Homo floresiensis possui como ancestral o Homo erectus", diz Kaifu.

Nas escavações em Mata Menge também foram localizados instrumentos de pedra semelhantes aos utilizados pelo Homo floresiensis. Segundo os paleontólogos, além do floresiensis, apenas o Homo erectus utilizou instrumentos semelhantes. Os autores do estudo sugerem que os hominídeos encontrados viveram em um lugar quente e seco, como uma savana. 

Não é preciso corrigir livros

Segundo a datação feita por Adam Brumm, da Universidade Griffith, na Austrália, os 700 mil anos de idade do fóssil provam a origem antiga do Homo floresiensis. Esse é mais um sinal que reforça a hipótese de que os indivíduos de Flores evoluíram de populações de Homo erectus que chegaram à ilha.

Para serem humanos modernos doentes, os fósseis dos hominídeos encontrados precisariam ser bem mais novos. Já a origem e migração de antigos membros de nosso gênero, como o Homo habilis, possuem data bem mais remota. Assim, caso os sinais de descendência do Homo habilis fossem as mais claras, seria preciso rever as teorias sobre a migração dos primeiros hominídeos.

Apesar do debate sobre a origem do Homo floresiensis ganhar pistas mais sólidas para chegar ao fim, ainda não há conclusões definitivas. Algumas características dos fósseis encontrados são compartilhadas apenas entre o Homo habilis e o Homo floresiensis da caverna de Liang Bua, como os pequenos dentes.

Outra questão que ainda não está plenamente resolvida é a da drástica redução que o Homo erectus teria sofrido em seu corpo para chegar ao tamanho do Homo floresiensis. Os paleontólogos associam essa transformação a ausência de predadores e escassez de alimentos, aspectos típicos da vida em ilhas. Apenas novas comparações entre os hominídeos ou novas descobertas arqueológicas podem lançar luz ao elo perdido dessa pequena criatura.

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