Alimentação

Quer aderir aos antioxidantes? Guaraná pode ser melhor do que chá verde

Da Agência Fapesp

  • Eder Chiodetto/Folhapress/03.dez.2001

Famoso pelo uso em dietas e pelos benefícios que traz a saúde, o chá verde tem em sua formulação as catequinas, que possuem ação antioxidante e propriedades anti-inflamatórias, mas a bebida parece ter encontrado um concorrente à altura.

Segundo uma pesquisa realizada pela Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo), o guaraná é uma importante fonte de catequinas e pode ser até 10 vezes mais potente.

Efetivamente absorvidas, elas reduzem o estresse oxidativo no organismo, relacionado ao surgimento de doenças neurodegenerativas e cardiovasculares, diabetes e câncer, inflamações e envelhecimento precoce em virtude da morte de células, entre outras condições prejudiciais à saúde e ao bem-estar.

A pesquisa foi realizada com apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e coordenada pela pesquisadora Lina Yonekura. Os resultados foram divulgados pela revista Food & Function, da Royal Society of Chemistry, do Reino Unido.

"Os resultados são animadores e mostram que a disponibilidade das catequinas do guaraná é igual ou superior às do chá verde, cacau e chocolate, sendo suficiente para promover efeitos positivos sobre a atividade antioxidante no plasma, reduzir a oxidação dos lipídeos no plasma, além de promover um aumento da atividade de enzimas antioxidantes"

Lina Yonekura, professora assistente da Faculdade de Agricultura da Kagawa University, no Japão.

Não é só cafeína

Os testes duraram um mês e foram realizados em duas etapas. O efeito agudo do guaraná foi medido uma hora após a ingestão da solução no primeiro e no último dia. Já o efeito prolongado foi avaliado quando os indivíduos estavam em jejum, também no primeiro e no último dia.

Os resultados do consumo de guaraná ao longo dos 15 dias de intervenção foram observados por meio de marcadores do estresse oxidativo. Também foi feito um estudo detalhado da absorção e do metabolismo das catequinas, pois até o momento não havia informações na literatura científica sobre a biodisponibilidade desses compostos no guaraná.

No estudo, o DNA dos linfócitos colhidos uma hora após o consumo de guaraná sofreu menos danos quando submetido a um ambiente oxidante, indicando a presença de substâncias antioxidantes ou um melhor desempenho do sistema antioxidante enzimático dessas células.

"Com a pesquisa, esperamos que haja um maior interesse científico pelo guaraná, já que essa é uma espécie nativa da Amazônia e o Brasil é praticamente o único país a produzi-lo em escala comercial", diz Yonekura.

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