As drogas são realmente perigosas? Ciência explica os riscos

Fabian Schmidt

Nem todas as drogas perigosas são proibidas e nem todas as drogas proibidas são mais perigosas do que o permitido. 

O debate sobre quais drogas devem ser proibidas e o que se pode atingir ao legalizar algumas delas tem sido razão de grandes discussões em diversos países. Nessa disputa, o componente cultural tem influência especial. A DW baseou-se em dados científicos para fazer um levantamento sobre as drogas mais conhecidas, o seu potencial de vício, os riscos que elas oferecem e a sua aceitação ou rejeição na sociedade. 

Anfetamina e metanfetamina

Eduardo Knapp/Folhapress
Até os anos 1970, a anfetamina foi utilizada na medicina como medicamento antidepressivo, inibidor de apetite e na terapia contra a asma. A droga já foi utilizada como estimulante por soldados, e é hoje popular na cena tecno. Ela inibe o cansaço, mas pode causar insônia, tremores e palpitações, levando, nos casos mais graves, a um ataque cardíaco ou um derrame cerebral.

Como a anfetamina é principalmente inalada, o septo nasal pode se dissolver. Seu potencial de dependência é intermediário (1,67 de uma escala que vai até 3,0). Delírios paranoicos, depressão e psicose também são possíveis efeitos da droga.

A metanfetamina ou "crystal meth" é mais perigosa do que a anfetamina. Ela leva muito mais rápido à dependência. Seu potencial de dependência está entre 2,39 e 3,0, e os viciados precisam de doses cada vez maiores.

Dependentes de metanfetamina perdem peso rapidamente, as mucosas da boca e do nariz se dissolvem, e os dentes caem.

Ópio e heroína

David Ryder/USA-Drug Seattle/Reuters
A heroína é feita a partir da morfina, o principal componente do ópio bruto, ou seja, é retirada da flor da papoula. A morfina é legalizada como analgésico. A substância deve ser usada somente em caso de dores muito fortes, como no caso da medicina paliativa ou também para o alívio de dores agudas após um ataque cardíaco.

Diferentemente da morfina, a heroína (potencial de dependência 3,0) age não somente de forma analgésica, mas também provoca euforia e perturba o sono. Em caso de overdose, o consumo de ambas as drogas pode levar a uma parada respiratória. Esse perigo é particularmente elevado entre os viciados que usam a heroína em combinação com álcool ou soníferos.

Cocaína e crack

Getty Images
A cocaína (potencial de dependência: 2,39) é uma substância extraída da planta de coca. Misturada ao fermento, obtém-se o crack. A cocaína provoca euforia, inibe a fome e a fadiga.

Por muito tempo, foi a droga preferida de quem que combinar festa com a carreira profissional. No entanto, quem cheira cocaína paga um preço alto: pulso acelerado, contração dos vasos sanguíneos, aumento da pressão arterial e risco de ataque cardíaco.

O uso prolongado pode levar de alucinações a psicose irreversível. Quem fuma cocaína destrói a mucosa oral; quem a cheira, o septo nasal.

Particularmente no caso do crack, a dose letal é quase incalculável, porque a droga atua de forma muito mais forte do que a cocaína. Além disso, o potencial de dependência do crack (acima de 3,0) supera o da heroína, nicotina e do álcool.

LSD

A dietilamida do ácido lisérgico ou LSD é uma droga sintética que leva a uma percepção acentuada do entorno. Nas décadas de 1960 e 1970, o LSD era visto como droga usada pelos hippies para a expansão da consciência. Em pessoas com predisposição especial, o LSD pode levar a um estado irreversível de psicose.

O perigo de um envenenamento letal, no entanto, é menor que no caso do álcool ou nicotina. Além disso, seu potencial de dependência se encontra na parte inferior da escala (1,23).

Mas o perigo de acidentes após a ingestão de LSD é significativo, já que o usuário avalia o seu entorno de forma completamente errônea, agindo irracionalmente devido a alucinações e delírios psicóticos. Sob o efeito do LSD uma pessoa pode pular da janela, acreditando poder voar.

Álcool e nicotina

Shutterstock
Entre as drogas com "potencial de dependência moderado", o álcool está à frente (1,93) da maconha, do LSD, de muitos soníferos, da anfetamina e até mesmo de outra droga sintética para festas: o ecstasy.

Com o tempo, a dependência do álcool destrói órgãos internos, como o fígado e pâncreas, além de prejudicar a musculatura e o metabolismo.

E o cigarro tem um potencial de dependência (2,21) ainda maior, sendo superado somente pelo crack, cocaína e heroína. Anualmente, entre 100 mil e 120 mil pessoas morrem devido a causas relacionadas ao cigarro. Assim, o tabaco e o álcool estão entre as drogas mais perigosas.

Maconha

Baz Ratner/Reuters
Em cada vez mais países, legisladores discutem a legalização da maconha para tratamento medicinal, como analgésico ou estimulante de apetite em casos de infecção por HIV ou no tratamento do câncer. A substância THC (tetra-hidrocanabinol), encontrada na maconha, é relaxante e analgésica.

Seu potencial de dependência (1,51) é considerado "médio". O consumo de THC leva, a princípio, a uma percepção mais intensa do entorno, principalmente da música, do paladar e da noção de tempo. Entre os típicos efeitos colaterais, está a fome aguda.

A longo prazo, no entanto, o consumo de maconha pode levar à redução da capacidade de aprendizagem e raciocínio, possivelmente por uma alteração do fluxo sanguíneo no cérebro. 

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