Cientistas criam tecido que te deixa "fresquinho" nos dias de calor

Do UOL, em São Paulo

  • Thinkstock

Quem nunca ouviu a frase "no inverno as pessoas se vestem melhor"? Os seres humanos aprenderam a usar as peles e criaram tecidos para enfrentar a temporada de frio, mas e quanto aos dias de calor? Que roupa usar para ficar confortável nos dias quentes e úmidos?

Engenheiros da Universidade Stanford (EUA) decidiram encontrar uma solução e desenvolveram uma matéria-prima à base de plástico, que, se usada em tecidos, pode resfriar o corpo muito mais rápido do que qualquer outro pano já feito. O resultado foi publicado nesta quinta-feira (1º) na revista Science.

O corpo humano emite calor na forma de radiação infravermelha --por isso os cobertores não nos deixam mais quentes, eles apenas ajudam a guardar esse calor perto da pele. E por isso também que os óculos de visão noturna que captam essa radiação térmica conseguem nos enxergar.

O tecido desenvolvido pelos engenheiros esfria deixando que o suor evapore através do pano, algo que as matérias comuns já fazem, porém ele também permite que o calor emitido como radiação infravermelha não fique acumulado, mas atravesse o "tecido de plástico".

Do que é feito?

Os pesquisadores misturaram nanotecnologia, fotônica (ciência da luz) e química para dar ao polietileno – aquele plástico que usamos para enrolar objetos na cozinha – as características de um tecido capaz de fazer a radiação térmica, o ar e o vapor de água atravessarem a matéria, mas permanecerem opacos à luz.

Os cientistas decidiram experimentar uma variante do plástico comum, usado na fabricação de baterias. O material foi modificado com produtos químicos para permitir que as moléculas de vapor de água pudessem evaporar através de nanoporos, fazendo o plástico respirar como uma fibra natural.

A pesquisa levou a uma matéria de folha única, que reunia critérios básicos para um tecido de refrigeração. Para tornar o material mais parecido com um tecido para roupas, eles criaram uma versão de três camadas: duas folhas de polietileno tratadas, separados por uma malha de algodão. Isso garantiu resistência e espessura.

Os cientistas então compararam o potencial de refrigeração da matéria de três camadas e do tecido de algodão. As amostras, de espessura comparável, foram colocadas em superfície tão quente quanto a pele humana nua.

O tecido de algodão deixou a superfície 3,6º mais quente do que a matéria criada pelos pesquisadores.

Uma diferença, que segundo eles, pode afetar a decisão de ligar ou não o ventilador ou ar condicionado. 

Se você pode esfriar as pessoas ao invés dos edifícios onde elas trabalham ou vivem, vai poupar energia

Yi Cui, professor associado de ciência de materiais e engenharia de fótons da Universidade Stanford

Os pesquisadores estão estudando como dar outras cores e texturas ao material produzido e formas de adaptá-lo para a criação de mais produtos.

"Se você quiser fazer material têxtil, precisa ser capaz de produzir em grandes quantidades e a um custo baixo", disse Cui.

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