Estudo sugere que cães aprenderam com humanos a ter medo de se arriscar

Do UOL, em São Paulo

  • Thinkstock

Humanos, em geral, não gostam de correr risco. No "show do milhão" do dia a dia, quem prefere arriscar os R$ 500 mil já ganhos por uma pergunta que pode levar a bolada embora? O que pesquisadores austríacos não esperavam era descobrir que cães também são mais cautelosos do que se imagina, ao contrário dos seus ancestrais lobos, que não têm medo de ser feliz.

Essa desconfiança canina pode, inclusive, ter sido herdada do convívio dos cães com os humanos, concluíram os veterinários da Universidade de Viena em conjunto com pesquisadores do Wolf Science Center, na Áustria, que investiga as características cognitivas comuns entre lobos, cães e homens. O estudo foi publicado na revista Science.

Os cientistas testaram a habilidade de se arriscar de sete lobos e de sete cães adultos. Os animais tinham de escolher entre duas tigelas de cabeça para baixo – a primeira sempre com uma pequena porção de comida sem gosto e a segunda com um pedaço delicioso de carne ou uma pedra. Era necessário arriscar-se para encontrar a carne.

Antes de os testes começarem, os cães aprenderam o que poderia ter nas tigelas --cada um repetiu o ato 80 vezes.

No final, 80% dos lobos se arriscaram a encontrar a carne, contra 58% dos cães.

Convívio fez diferença

Segundo os pesquisadores, os cães provavelmente se tornaram mais cautelosos depois de conviverem com humanos. Esse encontro não é de hoje, mas de pelo menos 32 mil anos, tempo suficiente para mudar o comportamento.

Lobos dependem da caça para a sobrevivência com uma taxa de sucesso de entre 15 e 50%, enquanto boa parte dos cães vive de restos dos humanos ou são alimentados por eles.

"Nós comparamos a propensão para assumir riscos em um contexto alimentar entre lobos e cães sob as mesmas condições", disse Sarah Marshall-Pescini, pós-doutora no Instituto de Pesquisa Messerli, da Universidade de Veterinária de Viena. "Descobrimos que os lobos preferem a opção arriscada significativamente de forma mais frequente do que os cães. Essa diferença, que parece ser inata, é consistente com a hipótese de que a preferência pelo risco evolui em função da ecologia", afirmou.

As descobertas se somam a estudos anteriores que mostram que espécies que têm recursos alimentares mais escassos --como chimpanzés que caçam macacos e se alimentam de frutas da época-- também são mais propensos a se arriscar. Ao contrário de animais domésticos, que têm mais opções. 

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