Estamos preparados para encontrar vida na lua de Júpiter?

Gabriel Francisco Ribeiro

Do UOL, em São Paulo

Depois que a Nasa confirmou na última segunda-feira (26) que Europa, uma das mais intrigantes luas de Júpiter, expele vapores de plumas de água (espécie de gêiseres), começou uma nova rodada de discussões sobre a possibilidade de acharmos formas de vida no satélite.

É verdade que o caminho ficou mais fácil, já que aumenta a chance de colheremos amostras de água, mas será que estamos preparados para achar vida extraterrestre?

Segundo um dos cientistas da Nasa que participou da conferência de imprensa sobre a descoberta, ainda não temos "experiência" em buscar vida --por isso, é melhor baixarmos as expectativas.

A questão é: como achar algo que não sabemos o que é?

Primeiro, buscaremos formas de vida já conhecidas, ou seja, parecidas com os seres vivos que existem na Terra.

Procuramos vida baseada em moléculas orgânicas, vida que usa água. Apesar de não termos experiência em encontrar vida fora da Terra, vamos procurar indícios deste tipo de vida que conhecemos

Douglas Galante, astrobiólogo do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG-USP)

Nesse sentido, a lua Europa é um ótimo ponto de partida, porque ali parece existir uma imensa crosta de gelo, estimada entre 10 km e 100 km de espessura --a Antártida, por exemplo, tem cerca de 4 km de espessura. Debaixo dessa geleira estaria um oceano duas vezes maior do que a soma de todos os mares que temos aqui na Terra.

Segundo Galante, alguns organismos terráqueos usam como fonte de energia ferro, enxofre e manganês. É esse tipo de vida que pode existir no satélite de Júpiter:

Se existe vida ali, é diferente da nossa. Europa está longe do sol, então não teria organismos que precisam de luz. Seriam organismos que vivem por reações químicas de vulcões hidrotermais.

O especialista não descarta, no entanto, a presença de seres mais complexos, multicelulares.

"Aqui na Terra existem alguns vermes e outros organismos que fazem simbiose com as bactérias e conseguem extrair a energia destes minerais. É possível que exista este modelo independente de luz solar, é o que a gente imagina a partir do que conhecemos", afirma.

O que é vida?

Essa busca nos leva também de volta a uma pergunta antiga: o define vida?

Para o astrobiólogo, existem três características comuns a todos os elementos vivos: sistema de compartimentalização (uma membrana que separa a parte de dentro e de fora), sistema de informações e sistema metabólico com funções químicas (vírus são exceção, mas usam células para isso). 

"O que a gente vai procurar é algo parecido com isso", diz.

Mas quando nos limitamos a esses elementos, encaramos um problema óbvio: o desconhecido pode abrigar uma forma de vida muito diferente, que não segue as regras da ciência que aplicamos por aqui.

Se for algo muito exótico, vai passar despercebido. Dançou mesmo. Infelizmente, só conhecemos este tipo de vida na Terra. Na astrobiologia, temos vontade de encontrar algo diferente do que é nosso para expandir nossos horizontes

Douglas Galante

As agências especiais europeia e americana planejam missões para a lua Europa a partir de 2020 e 2030, quando começaremos a ter alguma noção do que realmente existe ali.

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