O que determina nosso voto? Para cientistas, até a genética influencia

Do UOL, em São Paulo

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    Processo de escolha do voto envolve diferentes aspectos emocionais e biológicos

    Processo de escolha do voto envolve diferentes aspectos emocionais e biológicos

A cada dois anos passamos pelo mesmo processo: votar nos representantes políticos que mais nos representam. Mas como nosso cérebro faz essa escolha? Muitas pesquisas já foram feitas para tentar entender este processo.

Cientistas já apontaram que fatores como o ambiente em que estamos, a educação que recebemos, a cultura onde fomos criados e as emoções influenciam, mas agora até a nossa genética pode estar envolvida.

Um dos estudos que apontou a influência da genética no nosso voto foi publicado em 2014, na revista científica Behavior Genetics. Pesquisadores estudaram em cinco países diferentes mais de 12 mil gêmeos criados juntos e apontaram que a atitude política depende, em média, 60% do ambiente em que crescemos e 40% de nossos próprios genes.

Herdamos partes de como processamos informações, como vemos o mundo e percebemos ameaças. Na sociedade moderna, isto é expressado em atitudes políticas

Peter Hallemi, epidemiologista genético da Universidade de Sidney e autor do estudo

Estudos posteriores, como um publicado em 2015 na Proceedings of the Royal Society B, identificaram até quais genes estariam envolvidos neste processo: os que codificam receptores para o neurotransmissor dopamina, por exemplo, estão associados a tendências conservadoras.

Além disso, existe a chamada "escolha cega" nas nossas tomadas de decisões, segundo estudo que saiu na Science, em 2005. Por esta tese, oferecemos razões introspectivas para justificar nossas escolhas, mesmo que contradições nos sejam apresentadas.

A famosa "primeira impressão" também afeta o processo de tomada de decisão em assuntos importantes, como o voto. Pesquisa de 2014 do Journal of Research in Personality indicou que as pessoas preferem políticos com traços de personalidade que valorizam em si mesmas, quando apenas informações não verbais são apresentadas.

Já o córtex órbito-frontal foi apontado por cientistas como responsável pelas tomadas de decisões em nosso cérebro, desde as mais simples até as mais complexas, como a política. Esta área do cérebro também estaria mais fortemente ligada a julgamentos de cunho moral, segundo uma pesquisa japonesa.

E como funciona a cabeça do eleitorado brasileiro?

Em 2006, o pesquisador Jairo Tadeu Pires Pimentel Junior, em doutorado pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (Universidade de São Paulo), tentou entender o papel da razão e emoção na escolha por um político.

Ele analisou a disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB) e concluiu que eleitores entusiasmados tem mais predisposição em votar num candidato, enquanto eleitores ansiosos tendem a postergar a decisão do voto e refletir melhor sobre qual escolher. 

"Nossa análise possibilita entender melhor como a predisposição dos eleitores de votarem em Lula foi quebrada pelo sentimento de ansiedade gerado por fatores de curto prazo durante a campanha, mais especificamente pelo caso da compra do dossiê e seus desdobramentos, e aponta que é mais elucidativo explicar o comportamento eleitoral a partir da interação entre razão e emoção do que se os entendêssemos enquanto elementos antitéticos", diz o estudo.

Progressistas x conservadores

E não é só no Brasil que temos a sensação de que às vezes duas pessoas de visões políticas antagônicas pertencem a mundo diferentes.

Segundo um estudo publicado em 2015 na Personality and Social Psychology Bulletin, pessoas que vivem em culturas ocidentais que sejam mais educadas, industrializadas, ricas e democratas tendem a pensar analiticamente, utilizando a lógica. Já quem vive fora deste seleto grupo faz escolhas mais intuitivamente.

Outra linha de raciocínio vê a cultura como formadora de pensamento: aquelas que enfatizam a individualidade fomentam o pensamento analítico, enquanto as que enfatizam a coletividade promovem o pensamento holístico.

O que todas estas pesquisas indicam é que, apesar das tendências políticas, sempre há o caráter pessoal do voto.

Você consegue perceber que alguma dessas questões vai influenciar o seu voto na próxima eleição?

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