Guerreiros de Xian comprovam contato entre China e Grécia há 2.200 anos

Do UOL, em São Paulo

  • Sergey Ponomarev/ AP

    Estátuas chinesas do exército de Terracota podem ter sido feitas com ajuda grega

    Estátuas chinesas do exército de Terracota podem ter sido feitas com ajuda grega

Não é novidade que a China é rica culturalmente. Quer um belo exemplo? Qin Shi Huang Di, conhecido como primeiro imperador, deixou seu legado como figura imponente após ter transformado reinos em guerra em um país, ter acabado com o feudalismo e ter construído a Grande Muralha, que até hoje sobrevive como marca de seu poder.

Outro projeto impressionante só veio à tona em 1974, apesar do grande imperador ter morrido em 210 A.C.

Andrew Wong/ Reuters
Um fazendeiro ficou apavorado ao ver rostos humanos olhando para ele entre sua plantação de repolho perto da antiga capital chinesa de Xianyang. Quando arqueólogos foram analisar as estátuas encontraram o túmulo do imperador, onde estavam cerca de sete mil esculturas de soldados que formaram o famoso Exército de Terracota, também conhecido como Guerreiros de Xian.

Os cientistas acreditam que a construção do mausoléu começou no ano 264 A.C, quando o imperador tinha apenas 13 anos de idade. 

O estilo diferente percebido nas estátuas levantou a suspeita de que houvesse influência de artesãos gregos, muito antes da Rota da Seda ser criada. Novas escavações e a descoberta de DNA grego na região indicam que os dois povos estiveram em contato próximo há mais de 2.200 anos.

Na época em que as esculturas estavam sendo criadas a Grécia vivia o período Helenístico, que começa após a morte de Alexandre, O Grande. 

Exército de Terracota

Com detalhes desde os cabelos até as roupas, as estátuas realistas eram parte da enorme instalação funerária com três poços cheios com os guerreiros que foram, imagina-se, colocados lá para proteger o imperador para a eternidade.

As estátuas eram de estilos diferentes de todas as artes descobertas na China até então e arqueólogos e historiadores que estudam o local suspeitaram que artistas gregos poderiam ter treinado artesãos do imperador para realizar a façanha.

Escavações renderam evidências, como figuras de bronze de patos e acrobatas de Terracota e uma espécie de guindaste descoberto no complexo do túmulo real. Todas as construções tinham influências gregas.

Para fortalecer a teoria, DNA grego foi recuperado a partir de esqueletos no noroeste da China.

Juntando as provas, os especialistas comprovaram a teoria: a inspiração para a criação do Exército de Terracota veio de artistas estrangeiros.

Li Xiuzhen, arqueóloga sênior no local, afirmou ao jornal britânico The Guardian que as recentes descobertas, contradizem a teoria atual sobre o nível de contato entre a Ásia e a Europa 1.500 anos antes das viagens de Marco Polo.

"Nós agora temos evidências de que existiu contato estreito entre a China e o oeste antes da abertura formal da Rota da Seda. Isto é muito mais cedo do que acreditávamos"

Li Xiuzhen

As novas descobertas serão descritas no documentário "As maiores tumbas do mundo", feita em conjunto entre a BBC e a National Geographic. 

AFP

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