Asgardia quer ser a primeira nação espacial - e você pode ser um cidadão

Do UOL, em São Paulo

  • James Vaughan

    Conceito artístico de Asgardia, que pretende ser a primeira nação espacial

    Conceito artístico de Asgardia, que pretende ser a primeira nação espacial

Tem dias que você está de saco cheio da Terra e quer jogar tudo para o espaço? Pois essa possibilidade pode ser real no futuro. Um grupo anunciou em entrevista realizada em Paris que pretende criar a primeira nação espacial de que temos notícia. O projeto até já tem nome: Asgardia.

A nomenclatura dada pelo grupo faz referência ao reino dos deuses da mitologia nórdica -- e, claro, de Thor que surgiu nos quadrinhos e ganhou vida no cinema com o ator Chris Hemsworth. Os líderes da empreitada pretendem lançar o primeiro satélite já entre 2017 e 2018, mas estão em busca de cidadãos para acolherem em sua nação. E pode ser qualquer pessoa da Terra, incluindo você.

Uma das poucas exigências para o pedido grátis de cidadania é que o país atual do requerente aceite múltiplas cidadanias (sim, o Brasil aceita). Para solicitar a sua, basta enviá-la pelo site de Asgardia. A intenção é construir uma estação espacial onde alguns de seus planejados 150 milhões de cidadãos possam morar e trabalhar.

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Asgardia seria uma nação democrática no espaço, na órbita baixa da Terra ou um pouco além, segundo líderes do projeto. Os criadores do projeto dizem que necessitam de ao menos dezenas de milhares de cidadãos antes de formalmente pedirem reconhecimento da ONU. O número crescente de pessoas que se candidatavam passou de 200 mil na noite de sexta (14).

Paz no espaço

O projeto Asgardia visa "servir a humanidade" e buscar a "paz no espaço", de acordo com Igor Ashurbeyli, líder e fundador da ação. Ashurbeyli é um renomado empresário e cientista russo. Recentemente ele criou uma companhia chamada Socium Holding, que, segundo o site de Asgardia, tem mais de 10 mil empregados em 30 países.

"Asgardia será um reflexo da Terra no espaço, mas sem fronteiras, limites e restrições religiosas. Nós preferimos dialogar com pessoas e empresas, não Estados", Ashurbeyli ao site Space.com.

A preferência nas cidadanias, por sinal, será para aqueles que desenvolverem e investirem em tecnologias espaciais. Ram Jakhu, diretor do Instituto de Lei Aérea e Espacial da Universidade McGill (Montreal, no Canadá), é o especialista legal do projeto.

Jakhu afirmou ao Space.com que, com cidadãos, um governo e uma nave desabitada para chamar de território, a futura nação terá três de quatro elementos da ONU para ser considerada uma nação. Faltaria só o reconhecimento dos outros membros da organização.

Divulgação
Asgardia é o reino dos deuses nórdicos, como Thor

"A visão de Asgardia é clara. Quer fazer coisas para ajudar a proteger a Terra e, além disso, será para fins pacíficos permitindo também acesso para nações em desenvolvimento que não têm acesso ao espaço. O reconhecimento dos países não será um problema", opina Jakhu.

Apesar de não explicar a função do satélite que será lançado em breve, Ashurbeyli conta que ele já foi 100% financiado e que a nação que arcará com os custos do lançamento será uma de economia emergente que está fora do Tratado do Espaço Exterior, documento da época da Guerra Fria para regular as ações no espaço e visto como restritivo apenas às grandes potências pelo russo.

O projeto conta com a participação de Joseph Pelton, que é diretor emérito do Instituto de Pesquisa Espacial e Comunicação Avançada da Universidade George Washington, dos Estados Unidos. Segundo o cientista, há a possibilidade até da defesa da Terra no projeto incluir proteções contra asteroides com um laser e até outra contra explosões solares.

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