Cientistas encontram pela primeira vez fóssil de cérebro de dinossauro

Do UOL, em São Paulo

  • University of Cambridge/Reuters

    Fóssil de cérebro de dinossauro foi identificado pela primeira vez por cientistas

    Fóssil de cérebro de dinossauro foi identificado pela primeira vez por cientistas

Pesquisadores da Universidade de Cambridge anunciaram uma descoberta inédita. Pela primeira vez cientistas conseguiram identificar tecido cerebral fossilizado de um dinossauro. Acredita-se que o fóssil tenha 133 milhões de anos. O achado foi divulgado nesta quinta-feira (27), em estudo publicado no periódico Geological Society of London.

O objeto foi encontrado em 2004 por um caçador de fósseis em Sussex, no Reino Unido, mas só foi confirmado agora como um cérebro de um dinossauro. As meninges (camadas resistentes que envolvem o cérebro), alguns pequenos capilares e porções de tecidos corticais adjacentes foram preservados no objeto como "fantasmas mineralizados".

O fóssil, provavelmente de uma espécie semelhante ao Iguanodon, apresenta características semelhantes aos cérebros de crocodilos e aves atuais. O Iguanodon era um grande dinossauro herbívoro que viveu na mesma época do animal com o cérebro encontrado.

Achar tecidos fossilizados, especialmente do cérebro de animais, é algo extremamente raro. Os fósseis podem ajudar a entender a evolução destes tecidos.

"As chances de tecido cerebral ser preservado são incrivelmente pequenas. Então, a descoberta deste espécime é assombrosa" Alex Liu, coautor do estudo e do Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Cambridge

Dinossauros eram mais inteligentes?

Em répteis, o cérebro normalmente tem a forma de uma salsicha, envolvido por uma densa região de vasos sanguíneos e de câmaras vasculares que servem como um sistema de drenagem de sangue. O cérebro em si só ocupa cerca de metade do espaço do interior da cavidade craniana.

No caso do cérebro fossilizado, contudo, o tecido cerebral parecia estar pressionado diretamente contra o crânio, levantando a possibilidade de que alguns dinossauros tinham cérebros mais largos que enchiam boa parte da cavidade craniana.

Os pesquisadores, contudo, pedem calma quanto a conclusões sobre a inteligência de dinossauros a partir deste exemplar de fóssil e afirmam que é mais provável que durante a morte e sepultamento a cabeça do dinossauro ficou virada. Enquanto o cérebro se deteriorava, a gravidade pode ter causado seu colapso e pressionado o tecido contra o crânio.

"É inteiramente possível que dinossauros possuíssem um cérebro maior do que imaginamos, mas não podemos dizer a partir deste único espécime", explica David Norman, da Universidade de Cambridge e que também atuou na pesquisa.

Animal deve ter morrido em pântano

Para os pesquisadores, esse tecido cerebral apenas continuou preservado porque o cérebro do dinossauro foi "conservado" em um ambiente aquático altamente ácido e com baixa oxigenação, como um pântano, logo após sua morte. Isso permitiu que tecidos leves se mineralizassem antes de desaparecerem completamente.

"Achamos que este dinossauro morreu próximo a um ambiente aquático e que sua cabeça acabou parcialmente enterrada no sedimento ao fundo. Como a água tinha pouco oxigênio e era muito ácida, os tecidos do cérebro foram preservados antes que seu cérebro fosse enterrado no sedimento", afirma Norman. 

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